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Empresa campineira desenvolve ventiladores pulmonares mais modernos e com custo menor

Publicado em 26 março 2021

A empresa Setup Automação e Controle de Processos, de Campinas, desenvolveu dois protótipos de ventiladores pulmonares com custo menor do que os existentes no mercado. Os equipamentos estão sendo desenvolvidos por meio de um projeto apoiado pelo Programa Fapesp Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe).

O projeto foi um dos selecionados em um edital lançado em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em março de 2020, para apoiar o desenvolvimento de produtos, serviços ou processos criados por startups e pequenas empresas de base tecnológica no Estado de São Paulo voltados ao combate da Covid-19.

“Conseguimos desenvolver os dois protótipos e, agora, estamos em negociação com duas empresas para colocá-los no mercado. A expectativa é que o acordo com uma delas seja fechado nas próximas semanas”, afirma William Robert Heinrich, um dos sócios da empresa.

Segundo Heinrich, os ventiladores poderão chegar ao mercado com custo até 25% mais baixo do que os disponíveis atualmente no País. Um dos fatores que permitiram essa redução foi a diminuição da dependência de componentes importados. “Cerca de 70% dos componentes que estamos usando nesses ventiladores são nacionais”, afirma Heinrich.

Um dos ventiladores será voltado para emergências e o outro, mais robusto e com mais funcionalidades, é voltdo para uso em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Os dois equipamentos serão fabricados em uma mesma plataforma de produção criada por engenheiros da empresa.

“A plataforma permite unificar as partes mecânica e pneumática dos equipamentos. A diferença entre eles está em um software que desenvolvemos”, explica Heinrich. Além do custo, outros diferenciais são o menor nível de ruído emitido e o peso, de 16 quilos – o que coloca o equipamento entre os mais leves do mercado.

Os equipamentos também têm bateria com autonomia para seis horas, o que permite o uso em hospitais instalados em locais mais remotos ou em áreas de emergência, como os hospitais de campanha. Eles também foram desenvolvidos pensando em atender a uma antiga demanda dos médicos e enfermeiros: a simplificação de procedimentos.

“Em uma pesquisa que conduzimos com os profissionais das UTIs, descobrimos que os ventiladores disponíveis hoje acabam prejudicando o atendimento a um paciente intubado que tem uma parada cardiorrespiratória, por exemplo. Atualmente, nesses casos, os intensivistas precisam retirar a conexão do tubo endotraqueal com os pacientes para prestar socorro”, diz Heinrich.

A conexão do paciente com um ventilador pulmonar é feita por meio de uma mangueira flexível, chamada de “traqueia”. Quando ocorre uma a parada cardíaca, o paciente permanece com o tubo endotraqueal, mas a conexão desse componente com a “traqueia” precisa ser removida. Isso porque, para fazer massagem cardíaca, um intensivista precisa conectar uma bolsa autoinflável (Ambu bag) ao tubo endotraqueal para fornecer ventilação ao paciente de modo sincronizado e intercalado com a massagem cardíaca, feita por outro profissional de saúde.

“Isso custa tempo, e tempo é um fator crítico em momentos como esses”, avalia. Para solucionar esse problema, os engenheiros da empresa desenvolveram e inseriram um botão de emergência nos ventiladores desenvolvidos. Ao ser acionado, o equipamento entra imediatamente em um modo específico de ventilação.

“O botão de emergência elimina a necessidade de retirada da conexão do tubo endotraqueal para colocação da bolsa autonflável para fornecer ventilação, assim como a necessidad de dois profissionais para o atendimento de um paciente intubado e com parada cardíaca”, afirma Heinrich.

A empresa já apresentou aos prováveis parceiros todos os custos e os processos para homologação dos ventiladores em vários órgãos nacionais, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

Segundo ele, o fato de o Brasil investir pouco em ventiladores e de a grande maioria das máquinas já estar praticamente obsoleta mostra o potencial do negócio, mesmo fora do contexto da pandemia.

“Estudos de mercado apontam que o último grande investimento do país em ventiladores ocorreu em 2010, quando foram investidos por volta de US$ 68 milhões na compra de 65.411 equipamentos. Outros 15.235 foram comprados em 2020”, aponta Heinrich.

O Brasil tem hoje, aproximadamente, 80 mil equipamentos que auxiliam a respiração de doentes em situação mais grave. Cerca de 80% desse total têm dez anos de uso, indicam os dados levantados pela empresa.

(Fonte: SP Notícias)