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Empresa brasileira fornecerá ao TSE servidor de autenticação biométrica

Publicado em 03 junho 2014

Por Júlio César Barros

O anúncio em 15 de maio do resultado de uma concorrência pública para selecionar o responsável pela certificação e gerenciamento do banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) abre caminho para a criação do maior sistema de identificação biométrica por impressões digitais do mundo. A medida dá continuidade ao plano do governo brasileiro de evitar fraudes eleitorais e agilizar os resultados dos pleitos.

Especializada em soluções em biometria, a Griaule, pequena empresa brasileira, foi a escolhida entre grandes companhias do setor e vai assinar um contrato no valor de R$ 82 milhões para fornecer, por dois anos, sistemas de verificação de impressão digital em larga escala para o órgão eleitoral federal.

Exemplo de startup nascida na incubadora de empresas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Griaule foi no início de suas atividades, em 2002, apoiada financeiramente pelo programa PIPE (Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas), da FAPESP. O reconhecimento veio em 2005 com a escolha da empresa para o Prêmio Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, na categoria de pequena empresa em Inovação Tecnológica.

O sistema biométrico que a Griaule desenvolveu ficou no mesmo ano no primeiro lugar na Fingerprint Verification Competition – FVC2006 – como a tecnologia mais precisa do mundo para verificação de digitais. Depois a empresa abriu uma filial em San Jose, no Vale do Silício, na Califórnia, nos Estados Unidos, e passou a exportar seus serviços. Os clientes da Griaule estão espalhados por mais de 50 países.

A implantação do sistema de reconhecimento de autenticação de impressões digitais da Griaule ocorrerá em duas etapas. O software terá primeiro de processar 23 milhões de registros biométricos de eleitores já armazenados pelo TSE. Isso deve ocorrer até as eleições de outubro.

Em um segundo momento, o sistema irá garantir que 52,8 milhões de cadastros biométricos que o TSE pretende coletar até as eleições de 2016 não são cadastros duplicados ou fraudados. E, para a realização de tal tarefa, o contrato de prestação de serviço prevê a implantação de um supercomputador como servidor com quase 1.500 núcleos de processamento. A máquina será capaz de realizar a comparação de 3 milhões de digitais por segundo.

Quanto maior a base de dados maior a exigência de processamento para assegurar a inclusão de novos eleitores, porque os computadores terão de fazer a varredura completa dos registros para evitar a duplicação de cadastros. Um crescimento exponencial.

“Para se ter uma ideia da complexidade da tarefa, é importante ressaltar que são coletadas as digitais dos dez dedos de cada pessoa. Assim, o software de reconhecimento terá de processar um volume de dados da ordem de quintilhões”, explica Felipe Bergo, pesquisador da empresa.

Embora as eleições no Brasil estejam informatizadas desde 2010, com a implantação das urnas eletrônicas em 100% das seções eleitorais, o TSE tem o cadastro das impressões de digitais de apenas 15% dos 142,4 milhões de eleitores. A maioria das seções eleitorais ainda faz o reconhecimento por meio do título de eleitor e da assinatura. A expectativa do TSE é conseguir cadastrar todos os eleitores até 2017, quando o número total deverá ser de 160 milhões.

“O serviço que iremos prestar ao TSE é a garantia de unicidade dos eleitores brasileiros. Ou seja, iremos certificar que nenhuma pessoa consiga se cadastrar duas vezes como eleitor, impedindo que ela vote mais de uma vez durante a eleição”, detalha Rodrigo Souza, gerente de produtos da Griaule.

O Programa de Identificação Biométrica do Eleitor do TSE foi iniciado em 2012 e planeja obter o cadastro biométrico de todo o eleitorado brasileiro até o final de 2017.

Revista Pesquisa FAPESP