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Empreendedorismo auxilia na conservação florestal

Publicado em 28 fevereiro 2008

Especialistas relacionaram o aumento da reserva florestal com os empreedimentos que se localizam próximos às areas verdes. "Partimos da hipótese, que se confirmou no estudo, de que esse inusitado aumento estaria relacionado ao avanço dos empreendimentos que não só valorizam os recursos ambientais mas que também promovem o aproveitamento econômico dessas heranças da natureza", disse Eduardo Ehlers à Agência Fapesp.

Mais de duas centenas de municípios paulistas ampliaram suas áreas de Mata Atlântica na década passada, formando verdadeiras manchas de recuperação florestal no mapa do Estado de São Paulo. As constatação foi feita por Eduardo Ehlers, diretor de Graduação do Centro Universitário Senac, em estudo publicado na Revista de Economia e Sociologia Rural, informou o Carbono Brasil.

Esses empreendimentos, principalmente hotéis e comércios ligados ao turismo, acabaram se tornando importantes parceiros da conservação ambiental. "Empresários de cidades como Brotas, Dourados e Corumbataí, que abrigam um conjunto de empreendimentos turísticos que dependem da natureza conservada, vêm se unindo para a criação de associações de proteção ambiental", conta. "A valorização do patrimônio natural passou a ser uma vantagem competitiva para a atração de clientes."

Para chegar a essas conclusões, além de revisão da produção científica sobre os principais fatores que vêm provocando a degradação da biodiversidade e sua importância ecológica e econômica, o pesquisador dividiu os procedimentos de coleta de dados em três etapas.

A primeira consistiu em uma análise da variação da cobertura florestal em municípios que, entre outros quesitos, tiveram maiores variações de população entre 1991 e 2000, possuem unidades de conservação estaduais e contam com pólos de ecoturismo credenciados pela Empresa Brasileira de Turismo (Embratur).

Nessa fase, foram selecionadas ainda as cidades com elevada densidade de microempresas ou empresas de pequeno porte formalmente constituídas para que, na segunda etapa, fossem realizadas entrevistas com gestores municipais para identificar a relação dos empreendimentos com a conservação da natureza.

Na terceira etapa da coleta de dados foram entrevistados pessoalmente representantes de 20 municípios que ampliaram a Mata Atlântica, nos dois períodos analisados, com o objetivo de descobrir o que estaria contribuindo para a expansão dos fragmentos florestais.

"O estudo conclui que, mais importante que a associação entre os empreendimentos e a recuperação florestal, o principal motivo do ganho de cobertura vegetal nos municípios é a fiscalização cada vez mais intensa decorrente de uma legislação ambiental rigorosa, que vem sendo elaborada pelos órgãos do governo estadual desde o final da década de 1980", explica Ehlers.

"Essa legislação, que é respeitada sobretudo nas grandes fazendas, faz com que a floresta não seja desmatada e também com que regiões como leitos de rios e morros não sejam utilizados para o plantio de culturas agrícolas, permitindo a regeneração natural da vegetação dessas áreas", acrescenta o pesquisador.