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Empreendedores fazem sucesso com projetos nascidos em universidades

Publicado em 03 fevereiro 2020

Por Mariane Dias

Anualmente, a cada conclusão de trabalhos monográficos, teses de mestrados ou doutorados alunos deixam o ambiente de estudo e brilham no mercado de trabalho com ideias desenvolvidas dentro da universidade.

Empresas que nascem dentro de instituto de pesquisas ou universidades são chamadas de spin-offs, diferentemente das que são criadas direto no mundo corporativo, conhecidas como startups. Ambas têm o perfil altamente tecnológico e de inovação o que difere é o ambiente no qual elas foram desenvolvidas.

“Dependendo da natureza da instituição é natural que o aluno desenvolva projetos, que tenham potencial de comercialização. Na Fatec, por exemplo, o aluno desenvolve o projeto, são três anos de graduação, mas acontece que os professores percebem o potencial, neste caso o aluno tem a incubação, ou seja, ele pega essa ideia que faltou tempo ou dinheiro apresenta, se essa ideia for realmente boa pode ser selecionada para fazer parte da Incubadora de Empresas. Neste processo de incubação o aluno foca toda sua energia para desenvolver o projeto”, explica o diretor da Faculdade de Tecnologia de São José do Rio Preto – Fatec Rio Preto e membro do Conselho do Parque Tecnológico de Rio Preto, Prof. Dr. Ademar Pereira dos Reis Filho.

O Parque Tecnológico de Rio Preto é um espaço de apoio à criação, ao desenvolvimento e ao aprimoramento de negócios inovadores, tem como objetivo incentivar o crescimento das inovações tecnológicas. Para ingressar no Parque Tecnológico, os interessados passam por processos de seleção, estruturados por meio de editais públicos.

Umas das empresas que nasceu após muito estudo foi a NanoChem Tech Solutions. Gabriela Byzynski teve a ideia do projeto durante o pós-doutorado em química, na Universidade Federal de São Carlos.

Atualmente, a empresa desenvolve materiais e produtos para a prevenção, diagnóstico e monitoramento microbiológico em hospitais.

“A ideia surgiu no fim de 2018, no meu pós-doutorado eu estava fazendo algumas pesquisas de sínteses de materiais, mas focada para a parte do meio ambiente. Comecei a conversar com várias professoras, vários parceiros de diferentes universidades. Naquele momento estava em São Carlos, fazendo uma parceria aqui na Unesp e na época eu conheci a professora Margarete da Faculdade de Medicina que hoje é a minha sócia. Nós estávamos fazendo uns projetos conjuntos e ela me mandou um dia um artigo e pensamos em desenvolver algo que focasse na parte de monitoramento de microrganismos que pudessem causar algumas doenças ou infecções em pacientes que estivessem no ambiente hospitalar”, recordou.

Gabriela ponderou ainda que “no primeiro momento quando eu olhei, pensei que fosse simples e pensei em fazer. A gente começou a conversar como poderíamos dar início ao projeto, porque a pesquisa é cara, para fazer o investimento, demanda muito tempo e nem sempre é uma garantia que vai dar certo. Então a gente escreveu um projeto para a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que era indicada para pequenas empresas, nós fomos aprovadas na fase 1 e daí começou a surgir a ideia. A gente começou a trabalhar em outubro de 2018 neste projeto, só que naquele momento tínhamos muitas ideias acadêmicas, não tínhamos contato com a parte de empreendedorismo, não sabíamos se poderia resultar realmente em um produto”.

Atualmente, o Parque Tecnológico de Rio Preto possui 41 empresas e um dos principais objetivos é dar suporte para todas que ali estão.

“O Parque Tecnológico tem a missão de abrigar, poiar ideias, projetos, startups e empresas jovens e maduras, com o objetivo de gerar e aplicar conhecimentos avançados e inovadores para a sociedade”, afirma o secretário de Planejamento de Rio Preto, Israel Cestari Júnior.

Gabriela Byzynski e sua sócia uniram o alto potencial científico de ambas com o conhecimento em empreendedorismo.

“Quando entramos no Parque Tecnológico, começamos a compreender um pouco mais de negócios, como que funcionava e fomos transformando a pesquisa em desenvolvimento de produtos. Então estávamos um pouco mais focadas de que isso poderia ser um produto e começamos a desenvolver a pesquisa um pouco mais segmentada e direcionada. Os resultados foram muito bons, fizemos as análises dentro do laboratório da Famerp com a professora Margarete e na UFSCar com o professor Filippo Ghiglieno”, ressaltou.

“É um projeto multidisciplinar que envolve a química, a biologia e a física. É uma equipe que conseguimos reunir e focar e que hoje estamos com a Fapesp fase 2. Foi aprovado no começo de janeiro, estamos partindo para uma etapa nova em que a gente finaliza os testes de laboratório, os testes um pouco mais delicados e daí vamos começar a testar no ambiente hospitalar”, comentou Gabriela.

A rapidez com o novo produto já despertou interesse de grandes hospitais do Brasil. O produto tem o objetivo de detectar bactérias ou fungos do ambiente hospitalar em poucos minutos a fim de evitar aos pacientes infecções e contágios.

“No ambiente hospitalar tem microrganismos de diferentes formas e funcionalidades, esses microrganismos na maioria das vezes não afeta nossa saúde, só que pode afetar a saúde de quem está internado. Então em cima da cama, na cabeceira, ao redor do leito, em cima dos equipamentos, tem microrganismos, isso pode causar uma infecção grave no paciente que está acamado, com a saúde debilitada, então nosso objetivo será esse monitoramento. Conseguimos desenvolver um produto que tenha o contato com essas superfícies ao redor do paciente e em até 30 minutos dar a resposta. É uma ação imediata, para saber que já deve ser feita a degerminação ou limpar. Ficamos focados nesta parte de ser rápido, vemos como um cuidado com o paciente e também com a equipe médica”, frisou.

Outra grande ideia que nasceu, em 2009, dentro da Universidade Estadual Paulista – Unesp foi a SPR. “

É especializada em treinamento e consultoria no escopo das normas ABNT NBR ISO 9001 – Sistema de Gestão da Qualidade e ABNT NBR ISO/IEC – 17025, para atender questões relacionadas ao cumprimento dos requisitos destas normas internacionais que, os acreditados nela visam promover a confiança na operação de seus laboratórios, garantir operação competente e ter a capacidade de gerar resultados com qualidade e válidos”, contou um dos fundadores Filipe Corrêa.

A empresa já consolidada no mercado atende empresas que tenham o sistema de gestão da qualidade implantado ou queiram implantar, além de fornecer consultoria para o desenvolvimento de POPs, avaliação e reformulação de procedimentos na área de Metrologia em Química e Qualidade.

“Cursos e experiências internacionais na área de metrologia em química e qualidade somos uma das poucas empresas atuantes neste segmento no Estado de São Paulo, com objetivo de atender clientes que buscam soluções em consultoria e treinamento em metrologia, química e qualidade, por meio de produção de materiais de referência, serviços integrados de consultoria e treinamentos, assistência metrológica e gestão e análises físico-químicas, os quais permitem a maximização dos recursos disponíveis e o desenvolvimento saudável da capacidade de execução dos laboratórios”, disse Corrêa.

A BIOMADE que surgiu durante o pós-doutorado de Ana Lúcia Ferrarezi, a empresa faz análise química e sensorial de bebidas e alimentos.

“Eu sou bióloga e fiz doutorado em microbiologia, terminei o doutorado, fiz o pós-doutorado, mas não estava muito animada de seguir a carreira acadêmica e naquela época já estava diminuindo a quantidade de concursos. Acabei indo trabalhar com o meu marido que tem um autopeças, então acabei convivendo no ambiente empreendedor, aí acabei tendo a ideia de juntar os meus conhecimentos com o empreendedorismo, por afinal eu estudei mais de 10 anos e não poderia jogar toda essa dedicação fora, com isso chamei mais dois amigos meus que também estavam terminando o doutorado. Para a empresa sair do papel demorou um pouco, nós começamos a participar de treinamentos da Incubadora de empresas”, ressaltou.

Em julho de 2017 a empresa foi incubada.

“Desde então atuamos na área de bebidas, nós começamos prestando serviços, oferendo análises para produtores porque vimos que era uma maneira da gente se aproximar desses clientes. Então fazemos análises de controle de qualidade das cachaças. O ano passado nós conseguimos dois projetos da Fapesp que estão terminando e estamos na fase final de dois produtos. Então além de estar trabalhando análise química, oferecemos consultoria e desenvolvemos produtos para ajudar os produtores”, finalizou Ana Lúcia.

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