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FGV

Emissão de gases da floresta

Publicado em 05 junho 2008

Agência FAPESP – A Amazônia Ocidental receberá a segunda maior torre de medição meteorológica do mundo.  A primeira está localizada na Sibéria.  O projeto Torre Alta de Observação da Amazônia (ATTO) permitirá o monitoramento de longo prazo – cerca de 30 anos – que será realizado por instituições do Brasil e na Alemanha.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), com o equipamento será possível realizar medições de forma contínua em uma área de observação com raio de centenas de quilômetros.  A torre também possibilitará a comparação das emissões continentais com as naturais (camada planetária marítima).

Com a torre será possível avaliar a variação interanual da absorção de dióxido de carbono pela floresta.  Tais informações são consideradas essenciais para o desenvolvimento de estratégias de redução das emissões causadas pelo desflorestamento.

O projeto está orçado em 1 milhão de euros.  Para entrar em operação será necessária a concessão de licenças.  A expectativa é que os trabalhos do projeto ATTO, que serão realizados por instituições do Brasil e da Alemanha, tenham início até outubro.

Do lado brasileiro, diversas instituições indicaram apoio ao projeto, como o Inpa, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Universidade de São Paulo, a Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado do Amazonas e a Universidade do Estado do Amazonas.  Do lado alemão, participarão o Ministério Nacional de Educação e Ciência, os institutos Max Planck de Química e de Biogeoquímica e a Cooperação Técnica da Alemanha (GTZ).

Segundo o pesquisador responsável pelo projeto, Juergen Kesselmeier, do Instituto Max Planck de Química, em uma altitude de 300 metros as condições são mais estáveis, o que permitirá avaliações gasosas sem interferência de outros fatores em um raio bem maior de centenas de quilômetros, diferentemente das torres atuais, que têm de 50 a 60 metros de altitude e medem as trocas gasosas apenas entre a biosfera e atmosfera.

“A nova torre possibilitará medições em um estrato da atmosfera onde não há mais variação entre o dia e a noite, fotossíntese e radiações”, disse Kesselmeier.

A grande vantagem da torre, de acordo com o pesquisador, é que ela produzirá dados parecidos com os obtidos por balões meteorológicos.  Contudo, os balões sobem até um determinado ponto e têm um tempo de vida curto.  Além disso, com ATTP, os dados serão fornecidos continuamente.

“A torre será o elemento entre as medições feitas, em escala, na superfície terrestre, nas copas das árvores, na biosfera e na troposfera, em uma rede de estações de monitoramento nos diferentes continentes terrestres.  Os dados obtidos por satélite, por exemplo, poderão ser ajustados com os obtidos próximos à superfície”, disse.

As informações serão captadas automaticamente e enviadas para o solo.  Os dados serão compartilhados entre os pesquisadores no âmbito do consórcio das instituições do Brasil e da Alemanha.

Mais informações: www.inpa.gov.br