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Embrapa usa técnica da Nasa para analisar presença de mercúrio em aterro sanitário

Publicado em 31 outubro 2017

A mesma tecnologia empregada pela Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, para analisar o solo de Marte foi utilizada com sucesso pelos pesquisadores da Embrapa Instrumentação, em São Carlos (SP), para detectar a presença de mercúrio em chorume de aterro sanitário.

Segundo a pesquisadora Débora Milori, a técnica é conhecida pelo nome de espectroscopia de emissão ótica com plasma induzido por laser (LIBS, na sigla em inglês). Os resultados foram publicados na revista Applied Optics, da Sociedade Óptica (The Optical Society – OSA)

Os resultados obtidos abrem um leque de possibilidades para continuar a investigação, incluindo a detecção de outros elementos poluentes. “Estamos trabalhando com a técnica LIBS para determinação de nutrientes e contaminantes em solos, plantas e fertilizantes”, disse a pesquisadora ao G1.

A aplicação de LIBS na avaliação dos níveis de mercúrio é uma técnica ambientalmente limpa, porque não requer preparo de amostras utilizando reagentes químicos, diferentemente das atuais técnicas de quantificação de contaminantes no solo.

“O LIBS surge neste cenário como uma alternativa interessante na linha da química verde. Além disso, o custo da análise é bem inferior, o tempo para obtenção da informação é cerca de dez vezes menor e pode-se medir simultaneamente qualquer elemento da tabela periódica”, ressaltou a pesquisadora.

Medição

Para detectar a presença do mercúrio, a pesquisadora explicou que o chorume foi liofilizado para produzir um material sólido, em seguida foram fabricadas pastilhas com o material.

Ao incidir o laser na pastilha de chorume, o material absorve a energia e passa por um processo de aquecimento e ruptura de moléculas gerando um plasma na superfície.

“A luz emitida por este plasma pode ser capturada e analisada, e essa informação espectral pode viabilizar uma análise de vários elementos químicos presentes na amostra, e particularmente, pode-se medir a quantidade de metais pesados como o mercúrio em minutos”, disse.

Contribuição na análise

O gerenciamento e a destinação dos resíduos sólidos das cidades brasileiras estão entre os maiores problemas enfrentados pelos governos municipais, estaduais e federal. Aterros sanitários, embora se apresentem como solução, são também um motivo de preocupação das autoridades, porque são carregados de metais pesados tóxicos como mercúrio, chumbo, cobre, cromo e arsênio.

Esses fluídos contaminam não só o solo, mas os lençóis freáticos e são prejudiciais à saúde humana. O mercúrio, por exemplo, pode provocar problemas neurológicos e má-formação de fetos e comprometer o desenvolvimento infantil.

Entusiasmados com os resultados obtidos com o mercúrio, os pesquisadores já trabalham com outros metais, como chumbo, arsênio e cádmio.

O estudo é resultado de um trabalho de pós-doutorado do físico Gustavo Nicolodelli, supervisionado por Débora Milori, em parceria com os professores Carlos Renato Menegatti e Hélcio José Izário Filho da Escola de Engenharia de Lorena da Universidade de São Paulo (EEL-USP), e Bruno Spolon Marangoni, do Instituto de Física da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). O projeto foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Fonte: Ciência e Saúde – G1