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Correio Popular

Embrapa pesquisa inimigos de fungo

Publicado em 17 novembro 2002

Por Renata Freitas - Do CORREIO POPULAR - rfreitas@cpoputar.com.br
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) está desenvolvendo em sua unidade de Jaguariúna uma pesquisa que irá identificar e isolar inimigos naturais do fungo Potrytis cinerea, mais conhecido como mofo cinzento, e que possam ser utilizados no controle biológico da doença. O fungo ataca culturas de plantas ornamentais e flores, como rosas, violetas e crisântemos, além de outras culturas como morango, uva e maçã. O trabalho da Embrapa Meio Ambiente irá analisar o controle biológico do mofo cinzento na cultura das rosas, em uma propriedade em Holambra. O pesquisador Marcelo Morandi, coordenador da pesquisa, diz que o fungo Clonostachys rosea, facilmente encontrado na natureza, será utilizado como agente de controle biológico. "Ele tem se mostrado eficaz em nível experimental tanto em vegetação quanto em laboratório", relata. Segundo o Morandi, a pesquisa busca conhecer mais e melhorar esse sistema de controle natural do mofo cinzento. Ele afirma que também está sendo estudado o aproveitamento do logo de esgoto compostado em substituição ao adubo na cultura da rosa. "Pode haver influência na doença e isso vai ser avaliado", diz. APODRECIMENTO O mofo cinzento é um problema comum no campo, especialmente no cultivo de flores e frutas, Morandi explica que o fungo não afeta a produtividade, mas acelera o apodrecimento da flor ou fruta, que fica recoberta por uma camada cinza de mofo. Ele diz que o Potrytis cinerea é considerado o sexto pior patógeno de plantas do mundo. Para controlar a doença, a saída é apelar para os fungicidas, que muitas vezes são empregados de forma exagerada, de acordo com o pesquisador. "Além do impacto no custo de produção, isso causa problemas ambientais e mercadológicos", explica Morandi. Ele ressalta que no mercado externo não há espaço para produtos com resíduo de agrotóxicos. O projeto, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), receberá recursos da ordem de R$ 18 mil e terá dois anos de duração. A idéia é finalizar o estudo do controle biológico do mofo cinzento com as roseiras para depois partir para outras culturas, como a do morango e da uva, que também são muito afetadas pela doença.