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Embrapa Instrumentação intensifica gestão da inovação para oferecer mais tecnologias em 2016

Publicado em 23 dezembro 2015

O fortalecimento e a formalização de novas parcerias com instituições públicas e privadas estão na agenda da Embrapa Instrumentação (São Carlos – SP) em 2016, como forma de acelerar e ampliar o número de tecnologias disponíveis para a sociedade. Ações nesse sentido serão concretizadas no próximo ano com a consolidação da Unidade Mista de Pesquisa (UMiP), credenciamento como entidade Embrapii e execução de projeto de grande porte envolvendo o ITA, Embraer, SNA, USP e Purdue University.

A primeira atividade já vai ocorrer em janeiro, quando a Unidade passará pela segunda fase de um processo de seleção para se credenciar como uma entidade da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), uma espécie de Embrapa da área de inovação industrial, criada em 2013. Outros sete centros da Embrapa participam como parceiras nessa candidatura ao credenciamento.

Os projetos com a participação da Embrapii são constituídos de três partes – recursos do BNDES, a instituição de pesquisa e iniciativa privada. O credenciamento é uma forma de obtenção de recursos porque, para cada real investido por uma empresa privada na instituição de pesquisa, a Embrapii aporta mais um a fundo perdido. "É um incentivo muito interessante para a inovação" afirma o chefe-geral da Embrapa Instrumentação, João de Mendonça Naime, que está à frente do centro de pesquisa há menos de cinco meses.

Para receber recursos da Embrapii, a instituição precisa comprovar capacidade técnica, principalmente, sua relação com o setor privado e comprovar a captação no mínimo de R$ 5 milhões da iniciativa privada para pesquisa nos últimos três anos.

Ao assumir a chefia, Naime já sinalizava a disposição de enfrentar os desafios de ampliar e acelerar a disponibilidade de tecnologias para a sociedade explorando parcerias com empresas, principalmente no modelo de inovação aberta multi-institucional. O gestor considera um ponto crítico  transformar em ativos tecnológicos as pesquisas desenvolvidas nos laboratórios e campos experimentais da Embrapa.

Para consolidar a Unidade Mista de Pesquisa em Automação para Sustentabilidade Agropecuária, modelo que envolve a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), será realizado em fevereiro um workshop para definir uma proposta de trabalho sobre pesquisas dentro do conceito Integração, Lavoura, Pecuária, Floresta (ILPF), que integra o conhecimento agronômico e zootecnia de precisão. "Estamos procurando um projeto de alto impacto e que envolva todos esses conhecimentos das três instituições", diz.

Como forma de viabilizar financeiramente essa iniciativa da UMiP,  Naime informa que estuda a possibilidade de criação de uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) para que as empresas interessadas em tecnologias possam aportar recursos  e fazer a gestão financeira de forma mais ágil e, assim, evitar  entraves burocráticos.

Outra iniciativa nessa linha, para agilizar as ações e gerar inovações é a inserção da Embrapa Instrumentação em um projeto que envolve o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Embraer, Sociedade Nacional da Agricultura (SNA), USP e Purdue University. A partir do próximo ano, a Unidade vai desenvolver também pesquisas em quatro eixos como resultado desta parceria  – gestão de risco na agricultura, agricultura de precisão, gestão e manejo de águas agrícolas, qualidade e rastreabilidade de alimentos.

Os recursos para os estudos serão provenientes do conglomerado multinacional americano United Technologies Corporation (UTC), responsável pela liberação de R$ 23 milhões à Embrapa Instrumentação e SNA. A UTC, por meio de uma de suas empresas, a Pratt & Whitney – fabricante de turbinas – ao fechar negócios com a Embraer, liberou o chamado recurso off set, que deve ser investido em ciência e tecnologia no país que originou a aquisição de equipamentos importados.

Por considerar estratégico e de impacto econômico para o país, o ITA selecionou o setor do agronegócio para aplicar o recurso. O memorando de entendimento já foi assinado em novembro e, em fevereiro, deve ser realizado o detalhamento para execução do projeto. "Vamos iniciar 2016 com excelentes perspectivas e possibilidades de pesquisa e desenvolvimento", lembra o chefe-geral.

Na programação no próximo ano ainda consta a realização da quarta edição do Simpósio Nacional de Instrumentação Agropecuária, que no último evento realizado em 2014 reuniu cerca de 500 especialistas do Brasil e exterior para discutir a temática.

Ações 2015

Na área de pesquisa e desenvolvimento, o Sistema Embrapa de Gestão (SEG),  aprovou seis projetos em 2015 nas linhas de nanotecnologia, agricultura de precisão e pós-colheita, com captação de recursos acima de R$ 3 milhões. Apoiados pelas agências de fomento, como Capes, CNPq, Fapesp, Finep e fundações, a Unidade trabalhou na elaboração e desenvolvimento de 48 projetos, dos quais 17 já foram encerrados, totalizando mais de R$ 2 milhões.

Três resultados de pesquisa se destacaram em 2015, entre elas, os filmes comestíveis, plásticos biodegradáveis e Irrigador Solar, este com mais de 28 mil acessos no portal da Embrapa. A Unidade assinou 17 instrumentos jurídicos voltados para a  cooperação técnica, licenciamento de tecnologias, acordo de confidencialidade, transferência de know how e prestação de serviço. Outros 30 estão em andamento. Foram conquistadas também três patentes internacionais, três concessões de cartas-patente nacionais, além de registro  de um pedido de patente no Brasil.

As duas redes de pesquisa, a de Nanotecnologia Aplicada ao Agronegócio (AgroNano) e a de Agricultura de Precisão (AP), lideradas pela Unidade, deverão prosseguir com o desenvolvimento de pesquisas por mais três anos. A terceira fase da rede AgroNano já foi aprovada, enquanto o projeto para continuidade da fase 3 da rede de AP está sendo elaborado.

A  Embrapa Instrumentação se destacou na atuação internacional, com ações que resultaram na criação da Rede de Fenotipagem de Plantas, fruto da cooperação científica entre o Brasil e Alemanha, onde o pesquisador Paulo Sergio de Paula Herrmann Júnior atuou de 2012 até outubro de  2015 no Labex Europa  - Posto Avançado Alemanha.

Herrmann ainda trabalha na elaboração de uma proposta de arranjo sobre fenotipagem de plantas para a agricultura, que envolve 61 pesquisadores de 14 centros de pesquisa da Embrapa, institutos internacionais e duas universidades brasileiras. O arranjo será submetido ao Comitê Gestor de Projetos (SGP) da Empresa com o propósito de avançar nas pesquisas sobre a temática.

Projetos da física Débora Milori, aprovados dentro do programa Ciência sem Fronteiras, permitiram que dois pesquisadores-visitantes, um do Centro Nazionale dele Ricerche, em Bari, Itália, e outro da Université du Sud Toulon Var, França, realizassem pesquisas em análise de solos e plantas na Embrapa Instrumentação, desenvolvendo e utilizando técnicas avançadas de espectroscopia de plasma.

Os estudos resultaram na publicação de artigos em renomadas revistas internacionais, como a Science of the Total Environment e também na Spectrochimica Acta Part B: Atomic Spectroscopy, com fatores de impacto relevantes.

Nos laboratórios do Serviço de Pesquisa Agrícola (ARS, na sigla em inglês) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, em Pendleton, o físico Paulino Ribeiro Villas Boas realizou um treinamento de três meses sobre a aplicação do modelo CQESTR, que poderá trazer contribuição relevante para o estudo de sequestro de carbono no solo, visando consolidar a agricultura como agente redutor dos gases de efeito estufa na atmosfera.

Na Universidade da Georgia, campus de Tifton, nos Estados Unidos, o engenheiro eletricista André Torre Neto realiza, até maio de 2016, pesquisa sobre irrigação inteligente.

A visita do engenheiro de materiais Luiz Henrique Capparelli Mattoso à Europa, entre junho e julho, resultou em um projeto de colaboração com a Universidade de Copenhague, na Dinamarca, para o desenvolvimento de nanocompósitos de fonte renovável usando fibras vegetais, cofinanciado pelo CNPq, dentro do programa Ciência sem Fronteiras. O desenvolvimento da pesquisa contará com o apoio do pesquisador José Manoel Marconcini.

Mattoso ainda discutiu a definição do projeto de pesquisa em parceria com a Universite Paris-Diderot sobre biopolímeros e biossurfactantes: controle de interação e comportamento de fases para aplicação em filmes comestíveis.

Com a Universidade de Roma e Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o pesquisador brasileiro discutiu a possibilidade de colaboração no desenvolvimento de instrumentação, automação e tratamento de dados para sensores de interesse do agronegócio e meio ambiente.

O chefe-geral João de Mendonça Naime avalia que, do ponto de vista científico  a Embrapa Instrumentação está obtendo bons resultados, com geração de diversas tecnologias. No entanto, observa que há um descompasso entre a produção e a entrega desses resultados para a sociedade.

"Com todas essas iniciativas apontadas, potencializando a nossa capacidade de gerar tecnologias, compartilhando laboratórios, trabalhando em rede para gerar inovação, acreditamos que será possível atrair mais empresas", conclui.