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Embrapa e universidades discutem “fotossíntese artificial” para a conversão de gases de efeito estufa

Publicado em 20 outubro 2020

Experiência adquirida na Alemanha pelo pesquisador Caue Ribeiro contribui com projeto entre a Embrapa e quatro universidades

Uma iniciativa entre a Embrapa Instrumentação (São Carlos – SP), quatro universidades no Estado de São Paulo, em parceria com instituições internacionais como o Instituto de Energia e Clima (IEK) do Forschungzentrum, em Jülich, na Alemanha, pretende contribuir com um tema presente na agenda global, os gases de efeito estufa, que aquecem a superfície da Terra.

Os pesquisadores buscam alternativas para a conversão do Dióxido de Carbono e do Metano, dois dos principais GEE, incluindo a criação de uma espécie de fotossíntese artificial para mitigar seus efeitos. “Precisamos sequestrar o CO2 que hoje é emitido, por exemplo, na queima de combustíveis fósseis” explica Caue Ribeiro, um dos co-líderes do projeto.

“Temos uma sociedade toda baseada no consumo de hidrocarbonetos, a gente esquece dos plásticos, fármacos, moléculas funcionais, defensivos agrícolas, ureia, todas essas moléculas são orgânicas, e hoje são essencialmente produzidas por derivados de petróleo. Para conseguirmos alternativas de descarbonização da economia, precisamos descobrir uma forma de produzir essas moléculas por outros caminhos, nossa proposta é pelo caminho solar”, acrescenta o pesquisador da Embrapa Instrumentação.

Embrapa e universidades

“A primeira etapa do projeto era estudar as alternativas existentes hoje e desenvolver também novas alternativas para fazer a conversão direta de metano utilizando, preferencialmente, energias renováveis como energia solar, energia eólica, para que a gente consiga fazer um ciclo sustentável de uso do metano”, detalha Caue Ribeiro.

Iniciado em novembro de 2018, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o projeto envolve cinco linhas de pesquisa até outubro de 2023, nas quais participam também cientistas da Universidade Federal do ABC (UFABC), Unicamp, Unesp e Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) – com a liderança do professor José Maria Correa Bueno.

Novidades serão discutidas em Workshop

Para discutir as novidades do projeto - que pretende oxidar metano de forma controlada para produzir um composto de maior valor agregado como o metanol líquido em vez de um combustível gasoso - vai ser realizado, entre 21 e 23 de outubro, o segundo workshop “Novos processos químicos catalíticos e fotocatalíticos para a conversão direta de metano e CO2”, cujas informações estão disponíveis no endereço https://www.embrapa.br/instrumentacao/methane-co2-products.

O evento virtual, gratuito e apresentado em inglês, terá a participação, como palestrantes convidados, de seis pesquisadores da Espanha, Arábia Saudita, Estados Unidos, Reino Unido (2) e Portugal, referências nos temas abordados e será transmitido ao vivo pelo YouTube no canal https://www.youtube.com/channel/UCNBwps9z214CKc0BleyUDrg.

Depois de permanecer um ano e meio como cientista visitante na Alemanha, Caue Ribeiro espera que o workshop reforce as conexões internacionais do projeto na área acadêmica, mas ele já vislumbra a aplicação prática dos resultados. “Uma vez que a gente tenha sistemas mais contínuos, aí nós temos condições de trazer mais empresas, parceiros industriais, para poder observar essas tecnologias como alternativa de conversão química para o futuro”, finaliza.