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O Jornal da Região (Andradina,SP) online

Embrapa de São Carlos divulga na Croácia evento sobre efeito estufa e pecuária

Publicado em 17 setembro 2018

Dois pesquisadores da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos-SP) estiveram na EAAP 2018, o 69º Encontro Anual da Federação Europeia da Ciência Animal. O evento foi realizado em Dubrovnik, na Croácia, de 27 a 30 de agosto. Na semana que passou, o chefe de Pesquisa e Desenvolvimento Alexandre Berndt e a pesquisadora Ana Carolina de Souza Chagas contaram como foram suas experiências.

Berndt participou de uma sessão que discutiu sustentabilidade e opções para o sistema de produção. Ele abordou, em sua apresentação oral em plenária, o papel da pecuária na era sustentável, falando das emissões de gás metano e da intensidade de emissões no sistema ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta). Os dados foram obtidos pelo Projeto Pecus, uma rede que envolveu mais de 300 pesquisadores do Brasil e do exterior em torno das emissões de gases de efeito estufa pela pecuária.

O chefe de P&D aproveitou para divulgar na Europa o GGAA 2019 (Conferência sobre gases de efeito estufa e agricultura animal), que ocorrerá em Foz do Iguaçu em agosto do ano que vem. Essa conferência acontece a cada três anos e, pela primeira vez, será sediada na América do Sul. Alexandre Berndt será o responsável pela organização do evento no Brasil.

A divulgação foi particularmente forte junto aos representantes dos Jovens Cientistas da Europa, em especial na pessoa do presidente dessa comissão, Christian Lambertz. O presidente da EAAP, que tem sede em Roma, na Itália, Matthias Gauly, também abriu espaço para a divulgação do evento brasileiro e chegou a sortear, entre os delegados do congresso na Croácia, uma inscrição para o GGAA 2019. O ganhador foi o representante do Chile.

Pesquisa x adoção

Ana Carolina avalia que o congresso de ciência animal teve uma programação ampla, com diferentes grupos de discussão. “Tentei participar dos grupos que debatiam pequenos ruminantes, como caprinos e ovinos, mas também acompanhei algumas discussões sobre bovinos.” Ela apresentou dois pôsteres sobre o projeto Morada Nova, da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Ela pode observar problemas em comum entre Brasil e Europa, como o gap entre a pesquisa e a adoção de tecnologias. “Eles recomendaram que os cientistas conversem com stakeholders desde o início da elaboração dos projetos para que ambos consigam se comunicar adequadamente e os objetos de entrega sejam de real interesse do público final”, afirmou Ana Carolina.

Outra discussão interessante que ela acompanhou foi sobre parâmetros de comportamento animal que funcionam como indicadores de bem-estar. “Tinha uma pesquisa interessante sobre o som das passadas de vacas leiteiras. Também mediam a velocidade e o tipo de passada, que eram relacionados com problemas no casco.” Os pesquisadores tentam, com esses indicadores, fazer o diagnóstico de uma doença chamada claudicação.

No evento, a pesquisadora da Embrapa Pecuária Sudeste também considerou interessante outra percepção que também se repete no Brasil. “Os produtores elencaram como prioridade (27%) a pesquisa de ferramentas que reduzam as dificuldades de manejo do rebanho de vacas de leite, pois é uma rotina bem laboriosa. Segundo a pesquisa apresentada no evento, esse ponto tem potencial de redução de 3% a 16%, ou seja, é importante que o pesquisador avalie alternativas de manejo que facilitem a rotina da produção de leite (diagnóstico e tratamento de doenças, alimentação, ordenha, etc.)”, afirmou.

Ana Carolina aproveitou para fazer contatos com integrantes de um consórcio internacional de pesquisa para a inovação da produção sustentável de ovinos e caprinos na Europa, visando futura colaboração. Ela conversou com um pesquisador australiano que trabalha com um aparelho que mede parâmetros de carcaça, como espessura de gordura, em animais (ovelhas de corte) vivos.