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Embrapa completa "ciclo" de 30 anos

Publicado em 11 maio 2003

Por Marcos Crivellaro - Editor de Região
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, está completando 30 anos. Fundada no dia 26 de abril de 1973, tinha como objetivo principal dar maior dimensão às pesquisas agropecuárias desenvolvidas no país e gerar conhecimentos e tecnologias avançadas que mudassem o processo de agropecuária do Brasil. Hoje, para os diretores da Embrapa, inclusive nas unidades de São Carlos, os desafios são ainda maiores. Segundo eles, agora é como se um ciclo estivesse fechando, iniciado há três décadas, quando produtores e industriais brasileiros reclamavam soluções tecnológicas genuínas. Hoje, afirmam, o País domina com sucesso - por exemplo - a tecnologia agropecuária tropical e o Brasil é referência para outros países. "Nos últimos 15 anos, houve no País um aumento da produção agrícola de 60% e um acréscimo de 5% na área produtiva. Se, nesse tempo, não houvesse uma melhoria na tecnologia e na pesquisa, um crescimento de produção desse nível demandaria uma área do tamanho de São Paulo, que provavelmente teria de ser desmaiada e aproveitada para a agricultura", avalia Rodolfo Godoy, chefe geral de uma das unidade de São Carlos, a Embrapa Pecuária Sudeste, criada também 4 em 1973. Naquela ocasião, juntamente com outros cinco centros experimentais, foi implantada em São Carlos a Fazenda Experimental Canchim, nome pelo qual muitos dos moradores da cidade ainda identificam a unidade local da Embrapa. No centro de São Carlos existe ainda a Embrapa Instrumentação Agropecuária, chefiada por Ladislau Martin Neto. EVOLUÇÃO As Fazendas Experimentais, em seu início de atividades, não contavam com grande estrutura e tinham uma equipe limitada. "Com a criação da Embrapa, e dos 40 centros estrategicamente localizados em todo o território nacional, elevados investimentos começaram a ser feitos, inclusive no setor de recursos humanos, com o envio de pesquisadores para aperfeiçoamento em outros países", diz Godoy. O rebanho bovino nacional brasileiro é considerado o maior do planeta, "graças ao avanço da pesquisa, que tornou a produção brasileira mais competitiva no mercado internacional". Avanços na área da biotecnologia também são apontados como importantes: a Embrapa, segundo seus diretores, foi a primeira empresa de um País em desenvolvimento a dominar a técnica de clonagem animal, com o nascimento da vaca Vitória. A Embrapa Pecuária Sudeste recebe cerca de 5 mil visitas por ano, de técnicos interessados na tecnologia de corte, desenvolvida em seu complexo de pesquisa. Godoy ressalta que, nos últimos anos, tem havido uma melhora no relacionamento com o cliente, em todos os sentidos, mas principalmente no que se refere à disponibilização de informações através da Internet. "A idéia é sempre manter o cliente abastecido com dados que possam auxiliá-lo no desenvolvimento de seu trabalho". Em âmbito nacional, os diretores da Embrapa concordam que a hora é de incluir definitivamente entre as prioridades da Empresa ações voltadas para os agricultores familiares, que não têm acesso à tecnologia e demais serviços públicos. Na mesma tendência seguem os trabalhos da Pecuária Sudeste: "dispomos de tecnologias para todos os perfis de produtores. Desde sistemas simples e de baixo custo, já testados com sucesso em pequenas propriedades, em diversos municípios do Estado - uma delas de apenas de 3 hectares", ressalta Godoy, que acredita que tecnologia é fundamental para a sobrevivência do produtor. "Mas, vale lembrar, que tecnologia não significa necessariamente aparelhos sofisticados e caros. Muitas vezes, são procedimentos simples e bastante em conta". DIFICULDADES Em relação à verba destinada pelo Tesouro Nacional, Godoy faz questão de frisar que a empresa não enfrenta atualmente uma crise financeira. "Pelo menos no que se refere ao pagamento de pessoal, não há atrasos nos salários ou problemas nesse sentido. Já no setor de investimentos, o governo federal vem restringindo a destinação de verbas, como ocorre para todos os setores da economia nacional. Para contornar o problema, buscamos cada vez mais recursos junto aos órgãos de fomento à pesquisa, como a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico). No setor de custeio, o orçamento estimado para a manutenção da unidade (como os gastos com materiais de escritório) foram reduzidos em 60%. Um orçamento que já havia sido cortado no segundo semestre do ano passado", diz Godoy. "Sendo assim, não podemos ficar dependendo do dinheiro proveniente do Tesouro Nacional. Foi preciso ampliar os métodos de arrecadação própria, entre eles, a comercialização diária de cerca de 3 mil litros de leite, leilões de gado e venda de publicações". Atualmente, a Pecuária Sudeste cobre 80% dos gastos com o setor de custeio com arrecadações extras e apenas 20% com dinheiro do governo. "É uma das unidades da Embrapa que mais conseguem arrecadar. Mesmo com as dificuldades, é importante lembrar que nenhum projeto foi interrompido". Godoy espera que os problemas com o repasse de verbas para o custeio sejam solucionados a médio prazo. "Até porque, se isso não ocorrer, seria de um indício de que o governo federal simplesmente não estaria interessado no desenvolvimento do País".