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Agência Estado

Embraer tem mais de 20 projetos para sua nova unidade em SP

Publicado em 22 junho 2000

Por Janaína Simões

São Paulo - A Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) já tem mais de 20 projetos de pesquisa para o desenvolvimento do Site Aeroespacial, sua segunda unidade que será construída em Gavião Peixoto, na região de Araraquara. Segundo Betty Schifhagel Abramowickz, secretária adjunta estadual de Ciência Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, esse conjunto de pesquisas terá aplicação imediata “Ornais provável é que elas comecem no fim de 2000 e início do ano que vem”, afirma ela.As pesquisas serão encaminhadas para a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que tem uma verba média de US$ 10 milhões anuais disponíveis por ano para financiamento. “A presença da Fapesp foi o diferencial da proposta feita pelo governo de São Paulo em relação a de outros Estados, e foi determinante para a localização da segunda unidade da Embraer aqui”, ressalta. Os recursos de financiamento foram colocados na proposta do governo de São Paulo como um incentivo para a empresa permanecer no Estado. “Foi um gesto para que a Embraer se sentisse segura de que há recursos para ela. e também para gerar uma competência nessa área aeroespacial”, declara.A Embraer agora deverá buscar parcerias com institutos e universidades para desenvolver seus projetos de pesquisa, que deverão ser submetidos para a avaliação da Fapesp. Essa análise demora cerca de dois meses. “Alguns projetos já estão em fase avançada na parte do estabelecimento de parcerias”, explica a secretária. Entre as instituições, está a Universidade de São Paulo, campus São Carlos. “Os recursos serão usados à medida que os contratos forem assinados”, diz. A verba de US$ 10 milhões é uma estimativa, já que a Fapesp tem verba anual de US$ 230 milhões. “Nada impede que a Fapesp invista mais, vai depender dos projetos apresentados”, afirma ela.As pesquisas a serem desenvolvidas pela Embraer, em parceria com institutos e universidades e com financiamento da Fapesp, serão desenvolvidas na formação de um centro de ensaios em vôo, de ensaios estruturais, estudos na área de acústica e na construção de um novo centro de realidade virtual. Este último já existe na sede em São José dos Campos e é único no Brasil. Simula uma cabine de vôo, usando elementos em 3 de outras tecnologias, e serve para testes diversos, todos virtuais, antes da construção de um modelo. A Embraer quer agora construir um centro de realidade virtual mais moderno do que o existente. Normalmente, nesse tipo de parceria entre empresas, instituto e Fapesp, a fundação entra com 50% da verba para se lazer a pesquisa, e o restante vem da empresa.NOVA UNIDADE DA EMBRAER IMPULSIONA UNIVERSIDADES EM SÃO CARLOSSão Paulo - A nova unidade da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), que deve ser implantada em Gavião Peixoto, na região de Araraquara, deverá estimular o desenvolvimento das pesquisas tecnológicas, no vizinho pólo universitário de São Carlos, onde a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Universidade de São Paulo (USP) mantém atividades voltadas para o setor aeronáutico ou áreas afins. Teremos um impulso muito grande, pois aqui já temos um pólo forte no setor aeroespacial. Com a vinda da Embraer, poderemos igualar e até superar São José dos Campos, pois como somos civis, temos mais autonomia”, afirma Fernando Martini Catalano, coordenador da área de aeronaves do curso de Engenharia da USPde São Carlos, professor doutore Ph.D. em aerodinâmica.A USP já desenvolve há mais de 20 anos pesquisas na área de aeronáutica “O que a gente fazia, normalmente, eram iniciativas nossas, que eram levadas até a Embraer, diz Catalano. Segundo ele, com a empresa instalada na região, será muito mais fácil o contato e o trabalho em conjunto com a universidade. Temos vários equipamentos, por exemplo, que podem ser utilizados por eles, como o túnel de vento, os de testes de resistência de material. Os departamentos da área de Eletrônica e Física têm grande ligação com o setor aeroespacial.”Em 2002, a USP de São Carlos irá oferecer graduação plena para Engenharia Aeronáutica, o que irá aumentar ainda mais as pesquisas no setor. Atualmente. os alunos que querem trabalhar nessa área se formam em Engenharia Mecânica com ênfase cm Aeronáutica. O novo curso terá 40 vagas e visa suprir uma grande deficiência em mão-de-obra especializada Segundo Catalano, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) forma 30 engenheiros para aeronáutica e a USP forma entre 10 e 20 pessoas todos os anos em São Paulo. “Há mais de 200engenheiros estrangeiros trabalhando na Embraer porque não estamos dando conta, falta profissional para esse mercado”, afirma Catalano.“Para os alunos também será muito importante, pois eles terão mais possibilidade de estágios”, ressalta o professor, que destaca o fato de que não apenas a Embraer, mas empresas afins estarão se instalando na região, gerando mais empregos e oportunidades para quem se forma “Já temos a TAM vindo para cá o que já está ampliando o mercado”, lembra. A TAM está montando um centro de manutenção de aeronaves, um museu de aeronáutica e um centro de treinamento de funcionários na região.O professor acredita que a existência da USP e da UFSCar na região influenciaram a Embraer na decisão de instalar sua segunda unidade no local. “No fundo, isso foi levado em conta por eles. A USP é um centro de excelência em eletrônica e a Federal de São Carlos se destaca com um dos maiores centros na área de alta precisão. “A UFSCar já tem um departamento que cuida da relação entre as empresas e a universidade, o Núcleo de Extensão UFSCar Empresa. “Quando uma empresa se propõe a desenvolver pesquisa ganham as duas partes, é uma via de mão”, dupla”, ressalta Ana Lúcia Vitale Torkomian, coordenadora do núcleo e professora do Departamento de Engenharia de Produção.“Já estou tendo bastante trabalho com a vinda da Embraer”, afirma ela, que tem como objetivo facilitar as parcerias da universidade com as empresas. “Temos uma parte de ciências tecnológicas muito forte, que proporciona uma possibilidade muito grande de cooperação entre a empresa e a universidade”. Cursos como o de Engenharia de Produção, Engenharia Física ou Engenharia de Materiais poderão contribuir com as pesquisas. “A empresa ganha porque estará trabalhando com pessoas altamente capacitadas, e precisam sempre estar inovando. Para a universidade, além de aumentar o campo de trabalho dos formandos. é uma oportunidade de se contribuir efetivamente para a sociedade”, destaca Ana Lúcia. Além disso, os estudos se tornam um processo contínuo, pois as necessidades de uma empresa realimentam e geram novas Pesquisas.