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Gazeta Mercantil

Embraer será principal usuária de novo túnel de vento do ITA

Publicado em 09 maio 2003

Por Virgínia Silveira - de São José dos Campos (SP)
O Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) desenvolveu um túnel de vento que auxiliará a escola e a indústria privada a reduzirem o tempo e o custo dos seus projetos. A Embraer é a principal beneficiária da nova instalação, projetada para simular os efeitos do ar sobre superfície da aeronave em movimento. A empresa é hoje a maior usuária dos túneis de vento do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), ocupando em média 85% do tempo disponível para ensaios para terceiros. Na época do desenvolvimento do caça de combate subsônico AMX, o túnel do CTA chegou a dedicar 100% do seu tempo ao projeto. A Embraer faz uma média de quatro a cinco campanhas de ensaios em cada avião durante a fase de desenvolvimento. Só o jato regional ERJ-145, de 50 lugares, realizou cerca de quatro mil horas de testes no túnel TA-2 do CTA. Além da Embraer, o túnel de vento do CTA também foi muito utilizado por empresas como a Avibrás e a antiga Engesa, no desenvolvimento de mísseis e carros de combate. Empresas dos setores de construção civil, eletroeletrônico, automobilístico, naval e outras, também recorrem aos túneis de vento para qualificar seus projetos com padrões internacionais. No caso da Embraer, o investimento no túnel de vento no Brasil tornou-se uma ferramenta estratégica para diminuir a dependência externa e os riscos de espionagem industrial. O jato Embraer 170, por exemplo, realizou a maior parte dos ensaios aerodinâmicos em túneis de vento transônico (que operam em limites próximos à velocidade do som) de países como a Rússia, Holanda e França. O TA-2 é um túnel subsônico, que testa baixas velocidades do ar, até 500 quilômetros/hora. Ainda assim o túnel do CTA é considerado hoje a maior instalação do gênero na América Latina em escala industrial. O CTA também já tem um túnel transônico piloto, desenvolvido em cooperação com os russos, ainda não operacional por falta de recursos. Para operar em escala industrial seria necessário um investimento adicional de US$ 100 milhões. A Embraer decidiu priorizar seus investimentos no túnel subsônico, que já está sendo modernizado, com investimentos totais de US$ 2,8 milhões. O túnel de vento do ITA, de acordo com o coordenador do programa de Túneis de Vento do CTA, Olympio Achilles de Faria "Mello," foi construído para complementar as instalações do complexo de túneis de vento do CTA, de forma a reduzir os custos de operação de novos experimentos na área de ensaios aerodinâmicos. O projeto recebeu investimentos totais de R$ 400 mil, sendo metade financiados pela Embraer e metade pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. A Embraer, segundo seu presidente, Maurício Botelho, vai investir em parceria com a Fapesp US$ 8,4 milhões ao longo de quatro anos. Os recursos serão aplicados, em cinco projetos envolvendo túneis de vento do CTA/ITA e da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos e também nas áreas de eletrônica e componentes. Além de reduzir em 30% o tempo médio dos testes aerodinâmicos. Exemplo prático disso são os ensaios de perfis das asas dos jatos da Embraer, que no ITA poderão ser feitos em pontos da estrutura, sem considerar a asa completa. Assim é possível avaliar melhor os efeitos do ar em determinada parte da asa, segundo um engenheiro da empresa.