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O Vale

Embraer se alia à Boeing por combustível "verde"

Publicado em 25 outubro 2011

A Embraer, de São José dos Campos, assina amanhã com a "gigante" norte-americana Boeing e a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo) uma parceria para o desenvolvimento de pesquisas na área de biocombustível para. o setor aeronáutico.

O acordo prevê a criação de um centro de pesquisas a ser incorporado por uma universidade paulista que será escolhida por edital.

A proposta foi anunciada, em julho e confirmada ontem durante a Fapesp Week, evento sobre ciência e tecnologia que acontece em Washington(EUA).

Com verba inicial de R$ 300 mil, o projeto será toca do, nos primeiros nove meses, por uma equipe liderada! pelo engenheiro agrícola da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) Luís Augusto Cortez e pelo pesquisador do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) Francisco Nigro, que farão estudo sobre dificuldades da produção de biocombustível.

A intenção é definir qual combustível trará mais benefícios ao setor -bioetanol ou biodiesel. Depois desses nove meses, o edital para a , escolha da universidade parceira será lançado.

Acordo. Para participar das pesquisas, a Boeing, líder mundial no mercado de aviação, criou uma divisão chamada Boeing do Brasil, presidida por Donna Hrinack, que já foi embaixadora dos Estados Unidos no Brasil.

Para o economista da Unicamp, especializado no setor aeronáutico, Marcos Barbieri, a parceria vai de encontro com o que ele considera ideal para o sucesso do desenvolvimento de novos combustíveis para o setor de aviação.

"A busca por alternativas de combustíveis chamados "verdes" no mundo está cada vez maior. Essas pesquisas devem ser fruto de uma união entre governo, empresas ligadas ao setor e os institutos de pesquisa das universidades. O país se prepara para ser, se não o maior, um dos maiores exportadores de biocombustível do mundo nos próximos anos", afirma Barbieri.

O valor a ser desembolsado pelas empresas para as pesquisas não foi divulgado.

De acordo com o diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz, projetos da mesma espécie custam cerca de R$ 3 milhões por ano.

Assinatura. A cerimônia para a assinatura da parceria acontece amanhã, às 14h30, em São Paulo, com a presença do presidente da Boeing Internacional, Shep Hill, a presidente da Boeing Brasil, Donna Hrinak, o vice-presidente de Engenharia e Tecnologia da Embraer, Mauro Kern, além dos representantes da Fapesp Suely Vilela e Joaquim Engler.

Pesquisa com a Azul faz 1ª teste

A Embraer também atua em outra frente para o desenvolvimento de biocombustível.

Em parceria com a fabricante norte-americana de motores GE, a Amyris e a Azul Linhas Aéreas, realizou voos de teste com a aeronave E-170 na unidade de Gavião Peixoto no início do mês passado. O combustível usado é conhecido como Hefa, uma mistura derivada de camelina, planta usada na produção de biodiesel nos Estados Unidos.

A aprovação do uso do Hefa em voos experimentais foi concedida pela Astin (American Society for Testing and Materials) -entidade norte-americana responsável pela normalização de materiais e produtos em julho desse ano.

Teste. O primeiro voo experimental com biocombustível foi feito em novembro do ano passado pela companhia aérea TAM, utilizando uma mistura de biomassa derivada de pinhão-manso.