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Embraer projeta ‘avião flex’

Publicado em 15 dezembro 2013

Por Xandu Alves

Duas grandes companhias de aviação no Brasil, a Gol e a Azul, deram largada à corrida pelo biocombustível do setor, de fonte renovável, menos poluente e mais barato.

Por detrás das empresas, contudo, estão duas das maiores fabricantes de aviões do mundo, a Embraer, de São José, e a americana Boeing, que investem em pesquisas nessa área estratégica.

Em outubro deste ano, a Gol fez o primeiro voo comercial com biocombustível do Brasil. A empresa usa aviões produzidos pela Boeing.

Antes disso, porém, a Embraer já havia realizado voo de demonstração em 2011, usando um combustível feito à base de cana-de-açúcar. A aeronave modelo E-195 era operada pela Azul Linhas Aéreas.

Mas o futuro é tão promissor que as duas companhias -Embraer e Boeing- deixaram a competição um pouco de lado e resolveram se associar para “incentivar a indústria nacional de biocombustíveis”, como explicou Antonini Puppin-Macedo, diretor de Operações e coordenador de Pesquisa da Boeing no Brasil.

No particular, as empresas buscam desenvolver um biocombustível capaz de ser misturado ao querosene de aviação comum sem a necessidade de mudar motores ou a logística de abastecimento.

Mais ou menos como um motor flex fuel de carro, que suporta, ao mesmo tempo, álcool e gasolina.

A parceria entre as duas gigantes da aviação conta com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Em junho deste ano, após oito seminários realizados ao longo de 2012, a Embraer e a Boeing apresentaram o “Plano de Voo para Biocombustíveis de Aviação no Brasil”.

Desde então, segundo Mauro Kern, vice-presidente executivo de Engenharia e Tecnologia da Embraer, os parceiros estão na fase final de detalhamento do relatório.

Bagaço. Kern conta que as pesquisas apontam várias matérias-primas que poderiam ser usadas para fabricar o biocombustível da aviação, como o bagaço e a palha da cana-de-açúcar, a camelina, o pinhão manso, resíduos orgânicos e de reflorestamento e até algas marinhas.

“Nossa visão é de que o Brasil tem grande potencial para fornecer biocombustíveis de aviação para os mercados doméstico e internacional, ajudando o mundo a aliviar sua dependência de combustíveis fósseis na aviação”, diz Kern.

Oportunidade. Para Puppin-Macedo, da Boeing, o Brasil tem uma “oportunidade única” na área de biocombustíveis.

“A situação é muito favorável no país, que pode liderar esse mercado em escala mundial. O Brasil caminha para a liderança”, afirma ele.

Nesse contexto, Puppin-Macedo acredita que o Vale do Paraíba também pode liderar a ‘revolução verde’.

São José dos Campos