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O Vale

Embraer projeta a primeira aeronave silenciosa do Brasil

Publicado em 13 março 2011

Parceria entre a Embraer, de São José dos Campos, e seis instituições de pesquisa vai desenvolver tecnologia para reduzir ruídos das futuras aeronaves que serão projetadas pela fabricante.

Chamado de "Aeronave Silenciosa", o programa cria mecanismos para diminuir a emissão de sons dos jatos em procedimentos de pouso e decolagem, que atrapalham quem vive nos arredores de aeroportos das grandes cidades do Brasil.

A preocupação com o tema é constante e atual. Tanto que o barulho, a grande movimentação de aviões em determinados aeródromos e aproximidade de aglomerados urbanos foram determinantes para que os aeroportos de Congonhas (São Paulo) e Santos Dumont (Rio de Janeiro) encerrassem suas atividades à noite.

Iniciado em 2006, o projeto foi dividido em duas fases. Em 2011, entra na segunda parte que vai testar as melhorias descobertas e desenvolver novas técnicas em condições de voo, simuladas em túneis de vento.

"Serão construídos laboratórios nas universidades de São Carlos e Santa Catarina para estudar ruídos emitidos pelos flaps, pelo motor, trem de pouso e outros itens", afirmou Micael Gianini Valle do Carmo, engenheiro de desenvolvimento de produto e responsável pelo projeto na Embraer.

Novo. De acordo com Carmo, serão investidos R$ 20 milhões durante o período de pesquisas, que seguirá até 2013.

As novas técnicas serão aplicadas em novas aeronaves, tanto da linha executiva, como da linha comercial. O setor de defesa, também será beneficiado. "A preocupação é gerar aviões competitivos com menor ruído. A comunidade exige essa isso por questões ambientais e vamos ter cada vez mais políticas restritivas. A Embraer precisa acompanhar esta evolução", disse.

Para Carmo, desde a década de 1960, estudos com foco nesta área possibilitaram a redução de ruídos em 25 decibéis. "Temos que reduzir mais", afirmou.

Parceria. O projeto ocorre em parceria com a Fapesp e a Finep (financiadoras de apoio à pesquisa do estado de São Paulo e da União, respectivamente). O intuito da Embraer é auxiliar na formação de recursos humanos para o setor de engenharia acústica, ainda pouco difundido no país.

Atualmente 70 profissionais da empresa e de universidades federais e estaduais colaboram na pesquisa.

Responsável pelo desenvolvimento do projeto em nível acadêmico, o professor Julio Romano Meneghini, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, afirma que ocorrerão ensaios com aeronaves da própria Embraer na pista de Gavião Peixoto, onde microfones captarão sons para estudo.

"Não podemos afirmar que vamos conseguir diminuir os ruídos. Vamos conhecer o fenômeno, criar propostas e soluções e para alcançarmos uma mitigação (redução) do barulho nos jatos", disse.

Fabricante avalia dois novos jatos

Os dois novos modelos de aviões comerciais que a Embraer começará a projetar até o fim deste ano já poderão ser construídos com tecnologias que emitem menos ruído.

Conforme informação dada por Paulo César de Souza e Silva, vice-presidente para Aviação Comercial, durante evento em dezembro de 2010, até o segundo semestre deste ano, a empresa define como serão as novas aeronaves com capacidade para transportar entre 130 e 150 passageiros.

Os jatos, pertencentes à família de EJets, a qual fazem partes os modelos 170, 175, 190 e 195, disputarão nicho de mercado hoje dominado pelas fabricantes Bombardier, do Canadá, e Airbus, da França.

Benefício. Outro projeto em desenvolvimento pela fabricante de São José dos Campos e que contará com a aplicação dos resultados dentro do "Aeronave Silenciosa" é o do cargueiro militar KC-390.

O jato, que começou a ser projetado em 2007 e foi oficialmente encomendado pela Força Aérea Brasileira em 2009 para substituir a frota composta por Hércules C-130, tem previsão de realizar seu primeiro vôo em 2015.

Entretanto, o corte no orçamento do governo federal ocorrido mês passado pode atrasar o programa. Orçado em US$ 1 bilhão (R$ 1,660 bilhão), o programa KC-390 é mantido pela Aeronáutica e pode afetar o cronograma.