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Gazeta Mercantil

Embraer divide projeto com universidades

Publicado em 27 agosto 2001

Por Iara Gomes - igomes@gazetamercantil.com.br de São José dos Campos
A Embraer estreita os laços com institutos de pesquisa e universidades brasileiras para transformar a pesquisa científica em produtos e processos industriais. A mais recente iniciativa neste sentido envolve um projeto de CFD, sigla em inglês para mecânica dos fluídos computacional, uma das três ferramentas empregadas em análises aerodinâmicas. O objetivo é criar um núcleo com capacidade para desenvolver softwares e aplicações que atendam as necessidades da Embraer, além de capacitação de recursos humanos, segundo o coordenador-geral do projeto e pesquisador titular do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), João Luiz Filgueiras de Azevedo. O projeto que demandará investimentos da ordem de US$ 4 milhões é uma parceria da Embraer com o Centro; Técnico Aeroespacial (CTA), ambos em São José dos Campos, da faculdade de engenharia civil da Unicamp e USP de São Carlos. Azevedo diz que a escolha dos parceiros levou em conta o nível de excelência de cada instituição na área de CFD. Por enquanto o projeto aguarda avaliação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). que poderá financiar metade dos recursos necessários. A outra metade caberá à Embraer. Os trabalhos do núcleo serão voltados para atender a um total de nove aplicações já definidas pela Embraer. Uma delas visa a otimização de reversões de aviões, o que pode resultar numa redução significativa da distância de pouso. Outra, ajudará a definir o melhor posicionamento dos motores do ponto de vista aerodinâmico. Com o CFD também será possível melhorar os cálculos de arrasto (força contrária ao deslocamento de aeronaves) e que reflete no consumo de combustível, segundo Azevedo. O grupo de engenheiros e pesquisadores também vai se dedicar a aumentar a eficiência dos sistemas antígeno dos aviões, que tem como função proteger as aeronaves do acúmulo de gelo nas asas que pode comprometer a estabilidade. De todas as aplicações previstas, está é a mais complexa, é inclusive um dos critérios de certificação de aviões, afirma. As demais aplicações estão voltadas para dispositivos hiper-sustentadores (flaps e slats) de aviões, otimização da entrada de ar do motor, ruptura de dutos e controle térmico na cabine de passageiros. Azevedo diz que em etapa mais avançada do projeto, que deverá ser executado em três anos, será possível fornecer parâmetros para novos projetos de asas. Ao decidir investir no desenvolvimento de seus próprios softwares de CFD, a Embraer segue uma tendência mundial do setor aeronáutico, na avaliação do coordenador do projeto. Os softwares comerciais também são usados, mas por terem uma aplicação genérica, os grandes fabricantes de aviões preferem ter também os seus próprios, afirma. Tanto o IAE como as universidades poderão utilizar os resultados obtidos ao longo do projeto. A parceria com a Embraer também reverterá em laboratórios mais bem equipados. O IAE, por exemplo, recebera uma estação de trabalho com vários processadores. Cada um dos parceiros terá clusters (conjuntos) de microcomputadores com 32 processadores. Azevedo diz que ao final do projeto tanto a estação de trabalho da Embraer como o cluster serão transferidos para o IAE. Existe a possibilidade de que este último equipamento seja produzido pelo Instituto de Ciências Matemáticas e Computação da USP de São Carlos, que inclusive, já desenvolveu este tipo de sistema para a Petrobras. A ferramenta que será desenvolvida para a Embraer vai estar disponível também para o VLS e os foguetes de sondagem desenvolvidos no IAE. Além disso durante todo o processo estaremos formando pessoal, afirma Azevedo.