Notícia

Gazeta Mercantil

Embaixador pede propostas objetivas

Publicado em 07 abril 1997

Por Heloísa Magalhães - do Rio
Para auxiliar na definição de uma política abrangente de apoio ao comércio exterior, o empresariado brasileiro precisa fazer propostas objetivas em torno dos segmentos industriais que apresentem vantagens competitivas frente ao produto estrangeiro. Não é mais possível, na era da globalização, proteger tudo que é fabricado no País. A proposta é do embaixador José Botafogo Gonçalves, subsecretário de assuntos políticos e econômicos do Ministério das Relações Exteriores. Ele esteve no Rio participando de exclusivo almoço com empresários, na casa do ex-presidente do Bank of America, Joel Korn. A reunião foi promovida pelo Comitê de Cooperação Empresarial, da Fundação Getúlio Vargas, do qual Korn é presidente. Gonçalves falou da proposta brasileira junto à Área de Livre Comércio das Américas (Alça) e também sobre a necessidade de uma "mudança de mentalidade" no Brasil em torno do comércio exterior. "Muitos brasileiros ainda não entenderam que o Brasil irá se manter por algum tempo com déficit comercial. Estamos vivendo um período de adaptação, pois não adianta mais pensar que nossas fronteiras são aquelas físicas, demarcadas nos tempos do Barão do Rio Branco. O próprio efeito do Mercosul está mostrando que nossos limites já foram ampliados, mas este conceito ainda não foi totalmente absorvido na sociedade brasileira", disse. O embaixador ressaltou, entretanto, que o Itamarati vem recebendo propostas do empresariado em torno da forma de negociação na Alça, que inicia rodada de trabalhos entre 15 e 17 abril, com reuniões entre vice-ministros das Relações Exteriores dos países das Américas. A própria Confederação Nacional da Indústria apoiou processo de consulta aos associados em torno da Alça. "A adesão foi grande. Recebemos, por escrito, cerca de 150 sugestões de entidades. Há manifestações variadas e importantes", disse o embaixador. Mas ressaltou que não há, entretanto, propostas objetivas em torno das áreas brasileiras que apresentam vantagens competitivas. "Seria importante que os empresários nos informassem, por exemplo, que se nossos semicondutores não têm competitividade externa, há outros produtos de tecnologia de ponta que teriam. Esta seria uma contribuição efetiva", informou.