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Primeira Edição

Em uma semana, HC de Botucatu realiza seis transplantes de órgãos

Publicado em 22 julho 2020

O Programa de Transplante de Órgãos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB), vinculado à Universidade Estadual Paulista (Unesp), realizou na última semana seis transplantes de órgãos sólidos. Um fígado, três rins e dois corações foram transplantados em pacientes, que se encontram estáveis e sob cuidados da Enfermaria de Transplantes da unidade de saúde.

Três transplantes – rim, fígado e coração – foram realizados no mesmo dia, praticamente ao mesmo tempo. Os procedimentos, considerados de alta complexidade, envolveram uma equipe multidisciplinar, que, no mesmo dia e em três salas diferentes, renovaram a esperança de pacientes que esperavam na fila por um novo órgão que salvaria as vidas deles.

A Organização de Procura de Órgãos (OPO) do HC, que tem papel fundamental na captação de órgãos, foi responsável por duas captações também na semana passada. Dois órgãos – um rim e um coração – foram destinados ao hospital.

Apesar da queda do número de transplantes nos hospitais SUS durante a pandemia de COVID-19, o HCFMB continua como um dos maiores centros transplantadores do estado.

Segundo o coordenador do Serviço de Transplante de Órgãos, Luis Gustavo Modelli, o Programa de Transplantes do HC consolidou a unidade como referência em casos de alta complexidade. “Além de promover a capacitação dos profissionais, a iniciativa trouxe ao hospital mais recursos, tecnologia de ponta e possibilitou o trabalho em conjunto das equipes envolvidas nos transplantes de coração, rim, fígado, medula óssea autólogo, córneas e coração”, diz.

Consolidação

André Balbi, superintendente do HCFMB, enaltece o trabalho realizado pelo programa. “A consolidação do Programa de Transplantes é motivo de orgulho. Os números desta semana são muito expressivos, resultado do trabalho e dedicação de uma equipe diferenciada, que tem total apoio da atual gestão”, afirma.

Atualmente, o HC é o segundo centro transplantador do estado em números de procedimentos de coração e rins. Já no interior, é considerado o primeiro. Desde o início do ano até o mês de julho, o Programa de Transplante Cardíaco realizou 15 intervenções, e o Programa de Transplante Renal, 63.

“Para nós, esse é um número significativo durante a pandemia, em comparação com outros centros de transplante cardíaco. Todas as cirurgias realizadas com segurança, e tivemos bons resultados”, salienta Marcelo Laneza Felício, coordenador do Programa de Transplante Cardíaco do HCFMB.

“Mesmo em tempos difíceis, o Programa está em constante evolução e só tende a crescer. Agradeço o comprometimento e dedicação de toda equipe, fundamental para a expansão da nossa assistência”, finaliza Modelli.

Projeto

A realização do transplante de fígado pela equipe de Transplante Hepático na semana foi possível graças a um projeto de pesquisa do HCFMB, conduzido por Fernando Gomes Romeiro, que utiliza radiação para o tratamento de tumores hepáticos, chamado de radioembolização.

O procedimento não é considerado curativo, mas causa uma redução considerável do tamanho do tumor, evitando que ele cause mais danos ao paciente portador desta condição patológica.

Segundo Romeiro, sem esse tratamento, o paciente não teria possibilidades de passar pelo transplante. “O paciente era portador de câncer de fígado e desenvolveu uma trombose perto do nódulo, que impedia o transplante. Ele foi incluído no projeto de pesquisa, fizemos a radioembolização e conseguimos uma redução considerável, o que possibilitou o transplante”, explica.

Por ser um projeto de pesquisa, o tratamento ainda não pode ser oferecido a todos os pacientes portadores de tumores hepáticos. Considerado um tratamento de última geração, a radioembolização nunca foi realizada no Sistema Único de Saúde (SUS) por envolver alto custo e exigir muita capacitação. No Brasil, apenas o Hospital Sírio Libanês utiliza esta técnica inovadora no combate ao câncer hepático.

“É importante ressaltar que, apesar de ser uma grande satisfação realizar este tratamento no SUS, ele ainda não está disponível no sistema público, já que conta com o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo [Fapesp] e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico [CNPq]. De qualquer forma, é um avanço e continuaremos trabalhando para oferecer esta alternativa aos pacientes”, conclui Romeiro.