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Em três anos, efeitos do El Niño mataram 3 bilhões de árvores na Amazônia

Publicado em 22 julho 2021

Estudo de cientistas do Brasil e do Reino Unido constata que, entre 2015 e 2018, seca e incêndios associados ao fenômeno também emitiram 495 milhões de toneladas de CO2

As secas extremas estão se tornando cada vez mais frequentes e intensas devido às mudanças climáticas, o que pode ter grandes impactos na Amazônia. Entre o final de 2015 e o início de 2016, durante o verão, o bioma foi atingido por uma grande estiagem e incêndios florestais associados ao El Niño. Os efeitos do evento climático duraram pelos três anos posteriores, resultando, até 2018, na morte de 3 bilhões de árvores e na emissão de 495 milhões de toneladas de gás carbônico (CO2) – superior à média anual do desmatamento em toda a Amazônia brasileira.

As constatações foram feitas por meio de um estudo realizado por pesquisadores do Brasil e do Reino Unido. Os resultados do trabalho, apoiado pela Fapesp no âmbito do Programa Biota, foram publicados ontem (19) em artigo na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), dos Estados Unidos.

“Vimos que as árvores localizadas em áreas da floresta que já tinham sofrido algum distúrbio antrópico no passado, como queimada ou extração de madeira, foram mais vulneráveis aos efeitos da combinação de seca e do fogo associados ao El Ninõ de 2015 do que as que estavam situadas em regiões mais conservadas do bioma”, diz à Agência Fapesp a brasileira Erika Berenguer, pesquisadora das universidades Lancaster e de Oxford, do Reino Unido, e primeira autora do estudo.

Os pesquisadores realizavam desde 2010 um estudo no Baixo Tapajós – uma área com tamanho equivalente a cerca de duas vezes o da Bélgica – quando a região foi atingida e tornou-se, no final de 2015, o epicentro do El Niño na Amazônia.

As áreas de 2,5 mil metros quadrados, que eles vinham estudando para quantificar os impactos causados por distúrbios provocados pela ação humana na Amazônia – distribuídas em um território de 6,5 milhões de hectares da floresta –, foram completamente destruídas pelos incêndios florestais, exacerbados pelo fenômeno climático.

Fonte: Ambiente Brasil