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Em teste, variante P.1 escapa de anticorpos contra 1ª linhagem da Covid-19

Publicado em 22 julho 2021

Testes de laboratório revelaram que a variante P.1 do coronavírus é capaz de escapar dos anticorpos neutralizantes gerados por resposta imune de uma infeção prévia por outras linhagens do vírus da covid-19. A conclusão é de um estudo internacional, com participação de pesquisadores da USP, que analisou amostras do plasma de pacientes que tiveram a doença, e também de pessoas imunizadas pela vacina CoronaVac. Os pesquisadores enfatizam que os resultados foram obtidos in vitro, não em pacientes, além de o estudo não incluir outros tipos de resposta imune do organismo, reforçando que a vacinação deve ser acelerada. O estudo é descrito em artigo publicado na revista científica The Lancet em 8 de julho.

Os ensaios de neutralização da variante P.1, com o conjunto completo de mutações, foram realizados após incubação com plasma de 21 doadores de sangue na fase de convalescência da covid-19 e um total de 53 pessoas que receberam a vacina de vírus quimicamente inativado CoronaVac. “Foram incluídas amostras de plasma de 18 pessoas que receberam uma única dose e outras 38 que receberam as duas doses da vacina, todas coletadas entre 17 e 38 dias após a imunização”, explica afirma o pesquisador William Marciel de Souza, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, primeiro autor do artigo. “Também foram incluídas amostras de plasma de 15 pessoas que receberam duas doses da vacina de 134 a 260 dias antes da coleta.”

Os resultados de neutralização para P.1 foram comparados com os resultados obtidos para um isolado da linhagem B do vírus, que circulou no começo da pandemia no Brasil, no ano passado. “Um dos ensaios de neutralização revelou que o plasma de pacientes convalescentes da covid possui uma capacidade neutralizante 8,6 vezes menor do que os isolados da variante P.1”, aponta Souza.

Souza observa que estudos clínicos têm mostrado que a vacina CoronaVac é eficiente contra as formas graves da covid-19 reduzindo hospitalizações e mortes. “É preciso lembrar que este é o objetivo principal de uma vacina”, afirma. “Deste modo, reiteramos que as campanhas de vacinação devem ser aceleradas.”

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A vacina CoronaVac foi avaliada em três condições distintas. “Primeiro avaliamos os plasmas coletados entre 20 e 23 dias após uma única dose, e a maioria dos plasmas teve um resultado abaixo do limite de detecção dos testes usados”, relata o pesquisador. “Para pessoas que receberam duas doses, com a coleta de plasma feita entre 17 e 38 dias após a segunda dose, tiveram nível de anticorpos neutralizantes maiores que apenas uma dose.”

No entanto, quando os pesquisadores avaliaram em amostras coletadas entre 134 e 260 dias após a segunda dose, o nível de anticorpos neutralizantes foi abaixo do limite de detecção para P.1, e baixo para a linhagem B. “Assim, esses dados indicam que a linhagem P.1 pode escapar da neutralização por parte dos anticorpos gerados em resposta a um estímulo induzido por variantes de sars-cov-2 que circulavam no início da pandemia”, destaca Souza.

“Acreditamos que a vigilância genômica do vírus sars-cov-2 e a realização combinada de ensaios de neutralização podem ajudar a guiar os programas de vacinação, inclusive atualizações da estratégia de vacinas, caso sejam necessárias no futuro”, enfatiza o pesquisador. “Reiteramos que todos os nossos achados foram in vitro, não em pacientes. Lembramos também que os anticorpos neutralizantes são um dos componentes da resposta imune, outros componentes como imunidade celular não foram avaliados neste estudo.”

Souza observa que estudos clínicos têm mostrado que a vacina CoronaVac é eficiente contra as formas graves da covid-19 reduzindo hospitalizações e mortes. “É preciso lembrar que este é o objetivo principal de uma vacina”, afirma. “Deste modo, reiteramos que as campanhas de vacinação devem ser aceleradas”.

O estudo foi conduzido por mais de 50 pesquisadores, e foi liderado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em colaboração com pesquisadores da USP e de outras instituições de pesquisa brasileiras, além da University of Oxford, Imperial College of London (Reino Unido) e da Washington University School of Medicine (Estados Unidos). O trabalho contou com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Financiadora de Estudos e Pesquisas (Finep), Ministério da Ciência e Tecnologia e diversas outras agências de fomento.

Fonte: IG SAÚDE