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Em SP, surpresa na clonagem de uma vaca: nasce um macho

Publicado em 29 abril 2002

Para equipe da USP, célula clonada pode ter morrido ou mãe ter sido inseminada por touro Rose Mary de Souza escreve de Campinas para 'O Estado de SP' Sábado teria sido um grande dia para a ciência brasileira. A equipe de José Antonio Visintin, professor da USP, aguardava o nascimento de uma bezerra clonada, em uma fazenda perto do aeroporto de Viracopos. Seria a primeira clonagem por célula de uma vaca adulta nelore do mundo. Mas, para surpresa do pesquisador, nasceu um bezerro macho. Visintin, do Depto. de Reprodução Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, não sabe o que pode ter acontecido. Cientificamente, é impossível que um clone feito a partir de uma célula adulta, no caso tirada da orelha de uma vaca nelore, seja macho. 'Não faz sentido', afirma Rodolfo Rumpf, coordenador do Projeto de Biotecnologia da Reprodução, responsável pela bezerra Vitória, clone feito a partir de uma célula embrionária, que nasceu em março de 2001. 'O sexo já está definido na célula somática. ' 'Não sabemos o que provocou a inversão do sexo do animal. Precisamos agora fazer testes de DNA para chegarmos a uma justificativa', diz Visintin. Segundo ele, a clonagem por embriões já é corriqueira, mas a expectativa de um clone por célula adulta seria uma grande contribuição para os meios científicos. 'Dentro dos próximos 15 dias teremos uma posição sobre o que aconteceu.' O bezerro nasceu no fim da tarde de sábado, em operação cesariana, e passa bem. O experimento já dura dois anos e tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de SP (Fapesp), do CNPq e da Central de Embriões da Fazenda Panorama, em Campinas, que faz inseminações artificiais. José Fernando Perez, diretor-científico da Fapesp, não tem dúvidas sobre a competência da equipe de Visintin. 'É um grupo forte', diz ele. Não conseguiu, porém, conter uma gostosa gargalhada quando soube do nascimento do inesperado macho. De acordo com Visintin, outras duas vacas receberam células clonadas. Se gerarem fêmeas, a possibilidade de clonagem deve ser confirmada. 'Mas, se nascerem machos, vamos verificar o que aconteceu', disse. Uma vaca está no segundo mês de gestação e a outra com quatro meses. Visintin não descarta a vaga possibilidade de a vaca ter sido coberta por um touro, ou ainda que a célula implantada tenha morrido. O pesquisador Rumpf também especula que possa ter havido um erro no laboratório, talvez uma troca de biópsia. 'Não vamos desistir. Se foi um erro de célula, as outras vacas devem parir machos. A técnica foi um sucesso, fora essa surpresa', diz Visintin. (Colaborou Laura Knapp) - (O Estado de SP, 29/4) JC e-mail 2022