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Em debate na Folha, expositores discordam sobre sentidos da ditadura

Publicado em 25 março 2014

Em debate sobre os 50 anos do golpe de 1964 promovido ontem pela Folha, em São Paulo, os três expositores convidados concordaram num aspecto: a ideia de que a ditadura militar promoveu uma modernização de caráter conservador no capitalismo brasileiro. Em todo o resto houve discordância. De um lado, a jornalista Mariluce Moura, atual diretora de redação da revista "Pesquisa Fapesp", ex-integrante da Ação Popular, grupo de esquerda de influência católica que combatia o regime. Do outro, o general da reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva, professor emérito da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército. E entre os dois, prometendo fazer uma análise com "mais distanciamento", o historiador Rodrigo Patto Sá Motta, pesquisador da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e autor de livros e artigos sobre o período. Na maior parte do tempo o debate ficou polarizado entre Marluce e Paiva. A jornalista começou sua exposição dizendo que, no início de sua gravidez, aos 22 anos, foi sequestrada, presa e torturada por representantes do Estado. Lembrou também de seu marido, Gildo Macedo Lacerda, que foi assassinado na tortura dentro de um quartel do Exército em 1973. "Jamais devolveram o corpo, jamais explicaram ou justificaram a ocultação do cadáver", disse. Reclamando o direito de obter informações "insofismáveis" a respeito, afirmou: "Jamais pudemos nós, os familiares, cumprir o rito civilizado de dar enterro a quem amávamos". Leia mais (03/25/2014 - 13h30)

Fonte: Folha de S.Paulo - Em cima da hora - Principal