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Em "coletiva internacional", Butantan dá queda de mortes em não vacinados (174 notícias)

Publicado em 31 de maio de 2021

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Por Lucas Borges Teixeira, Rafael Bragança e Rayanne Albuquerque, do UOL, em São Paulo

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), adotou um modelo internacional para comentar os resultados de um estudo conduzido pelo Instituto Butantan em Serrana (SP) com a CoronaVac. Para comentar a redução expressiva de mortes e casos entre os participantes da cidade, Doria abriu o discurso com uma fala em inglês, voltada à imprensa estrangeira.

O estudo, antecipado ontem pela TV Globo, mostra que . Hoje, o governo e o Butantan demonstraram ainda que as mortes na região foram reduzidas inclusive entre os não vacinados por causa da vacinação.

"Com a vacina, as mortes caíram 95% e as internações recuaram 86%. Os casos sintomáticos foram reduzidos em 80%. Estes são os principais resultados do estudo clínico de efetividade inédito no mundo batizado de projeto S com a coordenação do Instituto Butantan com toda a população adulta da cidade de Serrana, na região de Ribeirão Preto", anunciou Doria.

Para o estudo, o Butantan dividiu a cidade em três grupos geográficos de vacinação, com ordem aleatória. Os dados de queda analisados pelo instituto se deram a partir da semana de vacinação da segunda dose do último grupo (semana 14) até a última semana (19).

Sem apresentar os dados brutos, o Butantan os casos sintomáticos caíram 80%; hospitalizados, 86%; e óbitos, 95%. Dados entre faixa etária não foram apresentados.

"A diminuição do número de casos é muito grande, quando vamos aos idosos, vemos a redução ainda maior. Os casos se reduzem inclusive naqueles idosos que em alguma circunstância não puderam ser vacinados. O efeito da vacina é tão forte que protege quem não foi vacinado mesmo em idades mais avançadas. O parâmetro mais importante, não basta fazer estudos com apenas casos sintomáticos, aqui o efeito, não cabe nenhuma dúvida, da importância da vacinação na faixa etária de pessoas mais idosas", diz Ricardo Palácios, diretor de pesquisa clínica do Instituto Butantan.

"[A vacinação em massa] criou um cinturão imunológico de proteção em toda a população da cidade de Serrana, protegendo tanto os adultos que foram vacinados como também as crianças e adolescentes que não foram vacinados.

João Doria, governador de São Paulo

Diminuição de morte entre não vacinados

A vacinação em massa na cidade também melhorou os índices entre os não vacinados desde o começou. É o que Palácios chamou de "efeito indireto" da vacinação, que ele preferiu não chamar de "imunização coletiva".

"A vacinação em larga escala dá efeito direto, aditivo. [Por isso,] ao invés de dar orientações não fundamentais, precisamos aumentar a escalada de vacinação par ter efeito indireto da vacinação. [...] Após duas semanas da ultima dose, o que a gente vê desde o primeiro grupo é que os efeitos se vê antes. O efeito indireto, estarmos todos protegidos em comunidade faz com que os efeitos da vacina cheguem antes."

Ricardo Palácios, diretor de pesquisa clínica do Instituto Butantan

Segundo Palácios, mesmo com a vacinação geral, sempre aparecem um número reduzido de casos e mortes. "É por isso que não falamos em erradicação, falamos em controle", explica o pesquisador.

Butantan não vê necessidade de revacinação

Como outras conclusões do estudo conduzido em Serrana, o Butantan afirma que ficou provado que não há necessidade de revacinação, uma hipótese que foi ventilada principalmente para os idosos, depois que um estudo demonstrou a queda da eficácia da CoronaVac em pessoas com mais de 70 anos.

"As pessoas têm que parar de pensar na pandemia como um problema individual. Revacinar, fazendo anticorpos, isso é inútil. O controle da pandemia se dá quando todos possamos sair sem colete, quando estivermos vacinados, isso que vai estar controlado, que nos vai dar segurança."

Ricardo Palácios, diretor de pesquisa clínica do Instituto Butantan

Dimas Covas, diretor do Butantan, deu declaração semelhante sobre a revacinação, confiando na eficácia suficiente da CoronaVac para excluir a hipótese.

"Têm surgido notícias baseadas em estudo de qualidade secundária que fala em revacinar idosos. Não, os resultados que temos não indicam isso. Aqui não, aqui é a realidade que foi estudada. Fiquem tranquilos, essa é uma das melhores vacinas que estão disponíveis no mundo e que agora tem efetivamente mostrado o seu papel na imunização", afirmou Covas.

Já Marcos Borges, diretor do Hospital Estadual de Serrana, afirmou que o estudou também provou a segurança da CoronaVac, já que não houve casos registrados de efeitos adversos após a aplicação do imunizante.

"Acho que reforça, sem nenhuma dúvida, que a vacina é muito segura. Essa vacina é extremamente segura."

Marcos Borges, diretor do Hospital Estadual de Serrana