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Em Campinas, pesquisador `desenha` novos fármacos

Publicado em 15 abril 2013

Por Fernando Tadeu Moraes

O biólogo Márcio Dias, 35, abre um sorriso ao mostrar as placas contendo amostras da bactéria do gênero Streptomyces que ele acaba de tirar de uma geladeira do seu laboratório no LNBio (Laboratório Nacional de Biotecnologia), em Campinas. "Essas aqui são verdadeiras fábricas de antibióticos."

Os Streptomyces são uma família de bactérias de solo responsáveis por vários antibióticos importantes, como a estreptomicina, a vancomicina, a eritromicina, a gentamicina e a neomicina.

Dias, que recebeu financiamento da Fapesp para sua pesquisa, trabalha com duas técnicas: a produção de um novo antibiótico a partir de outro, que é naturalmente secretado por cepas do gênero Streptomyces, e o desenho de fármacos dirigidos para uma doença específica, por meio do "cultivo" de pequenas moléculas.

Na biotecnologia aplicada a produtos naturais, Dias busca fazer modificações no antibiótico secretado pela bactéria por meio da manipulação de suas enzimas, que são catalisadores biológicos, responsáveis, nesse caso, por acelerar as reações químicas que produzem o antibiótico.

De uma determinada cepa de Streptomyces, extrai-se o genoma total da bactéria e, por meio de uma técnica chamada PCR, isolam-se os genes relacionados às enzimas que se quer estudar.

Para entender o funcionamento dessas enzimas, utiliza-se uma técnica chamada cristalografia por raio-X, que permite conhecer a forma e a posição que cada átomo ocupa nessa estrutura.

A partir disso, os pesquisadores podem fazer modificações na enzima e alterar suas propriedades.

Busca-se nesse processo gerar fármacos mais eficientes e que produzam menos efeitos colaterais.

Já no desenho de drogas baseado em fragmentos, os cientistas buscam atacar uma doença específica.

No caso da pesquisa de Dias, a tuberculose. "Trabalho com a síntese de folato, uma molécula fundamental para a sobrevivência da bactéria, que tem enzimas bem estabelecidas como alvo".

O ponto aqui é entender como essas pequenas moléculas interagem com a enzima do patógeno, e acrescentar a elas modificações que aumentem essa interação.

Segundo Dias, os compostos desenvolvidos podem então entrar no grande funil para a geração de novos medicamentos, que inclui testes em animais e em humanos, em um processo que demora de 10 a 15 anos me média.

Folha de S.Paulo