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Em busca de vacina mais eficaz, cientistas monitoram mutações do vírus da gripe em amostras de esgoto (51 notícias)

Publicado em 13 de setembro de 2024

O Institut Pasteur de São Paulo (IPSP) iniciou em julho um projeto inovador para monitorar o surgimento e a evolução de novas cepas do vírus influenza, responsável pela gripe.

Através da coleta periódica de amostras de esgoto em pontos estratégicos da capital paulista, o grupo de pesquisa busca identificar quais variantes virais estão em circulação e prever a sua propagação. As informações obtidas serão usadas para auxiliar na formulação de uma vacina mais eficaz.

O projeto, financiado pela FAPESP, está previsto para durar de quatro a cinco anos e visa enfrentar o desafio contínuo das cepas mutantes do vírus. Atualmente, as vacinas contra a gripe distribuídas pelo Ministério da Saúde cobrem os três tipos principais de cepas identificadas nos hemisférios Norte e Sul, mas a mutação rápida do influenza e a diversidade dos vírus resultam em uma eficácia variável, que vai de 40% a 60%.

O virologista e biomédico Rúbens Alves, coordenador do grupo Survivax: Laboratório de Vigilância Genômica e Inovação em Vacinas do IPSP, explicou que a vigilância por amostras de esgoto tem se mostrado eficaz, como demonstrado na pandemia de COVID-19, e oferece uma cobertura mais ampla e econômica, alcançando também indivíduos sem acesso a cuidados de saúde.

Além disso, o IPSP pretende desenvolver uma plataforma de vacina baseada em RNA autorreplicativo, que promete maior eficácia e menor quantidade de RNA necessário, reduzindo os efeitos colaterais e acelerando o processo de produção. A tecnologia, já utilizada em vacinas contra a COVID-19 e outros vírus, permitirá uma resposta imunológica mais prolongada e uma adaptação rápida às novas variantes.

A vigilância contínua por esgoto permitirá uma avaliação mais representativa e em tempo real da circulação de vírus, ajudando a prever surtos e otimizar a resposta de saúde pública, com o objetivo de prevenir potenciais pandemias.