Notícia

ECOinforme

Em busca de sustentabilidade, China investe em educação

Publicado em 28 fevereiro 2013

Mais bem educada e informada, nova geração exige melhores condições de trabalho e salários. A China decidiu investir na educação para alcançar o desenvolvimento sustentável e a erradicação da pobreza, combatendo a evasão escolar que, nas regiões mais pobres do país, chega a 40%.

O governo está investigando o problema para detectar as causas do fenômeno e apontar soluções.

“Quando constatamos que os estudantes de áreas rurais pobres estavam abandonando a escola, buscamos investigar os possíveis fatos que os estariam levando a isso”, disse Zhang na 7ª Conferência e Assembleia Geral da Rede Global de Academias de Ciências (IAP), evento organizado pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) no Rio de Janeiro, conforme reportagem de Washington Castilhos, da Agência Fapesp.

O projeto começou com o governo aplicando recursos para os pais manterem filhos na escola, o que deu resultado, numa evidência de que o maior motivo para a evasão era a pressão econômica.

“As famílias de agricultores tiravam seus filhos da escola para trabalhar nas fazendas. Hoje, na China, 60% das pessoas que vivem nas zonas rurais trabalham em áreas de pequenos cultivos, onde a produção é manual e em pequenas extensões de terra”, disse Lingxu Zhang, professora e diretora adjunta do Centro de Política Agrícola Chinesa. O país, segundo ela, precisa melhorar sua produtividade agrícola.

“A ciência agrária precisa ser mais bem desenvolvida. Se não melhorarmos a educação, não conseguiremos desenvolver tecnologia agrícola. A China não alcançará o desenvolvimento sustentável se não tiver pessoas bem educadas”, disse a economista, lembrando que cerca de 20% da população no país vive abaixo da linha da pobreza.

Um terço dos alunos das 30 escolas pesquisadas sofria de anemia, decorrente de uma merenda escolar baseada não balanceada, o que prejudicava o rendimento escolar. O governo passou a fornecer uma dieta rida em vitaminas e proteínas. A situação se reverteu.

Segundo a reportagem, a China, conhecida como terra dos baixos salários, sendo assim atraente para indústrias estrangeiras, está começando a mudar, depois de uma sucessão de conflitos trabalhistas que atingiram grandes companhias multinacionais instaladas no país.

Em relação à oferta de mão de obra, também existe diferença entre os jovens migrantes rurais que entraram no mercado de trabalho recentemente e as gerações anteriores. Mais bem educados e informados, eles exigem melhores condições de trabalho e salários mais elevados. Estaria chegando ao fim a era dos salários baixos.