Notícia

Diário da Manhã (GO) online

Em busca de nova identidade

Publicado em 11 setembro 2005

Por Liana Aguiar, editora-assistente de Universidade

Professor Eugênio Araújo afirma que UFG deve priorizar compromisso social 

Uma nova identidade para a UFG, com qualidade e compromisso social. Esta é a proposta da chapa Renovar olhando para o futuro, encabeçada pelo professor Eugênio Araújo, 40, vice-diretor da Escola de Veterinária, candidato a reitor da Universidade Federal de Goiás. Para ele, a UFG passou da fase de expansão. É preciso renovar a administração, o quadro, as políticas de ensino, pesquisa, extensão e cultura, pensando no que a universidade pode ser daqui a 20 ou 30 anos. "A expansão deve ser precedida de uma consolidação dos cursos já existentes", afirma. "Temos de resolver os problemas de hoje pensando no futuro, porque nós todos passamos, a universidade fica", completa o candidato a vice-reitor, professor José Wilson Lima Nerys, 44, vice-diretor da Escola de Engenharia Elétrica e Computação.
Em entrevista ao DM, o professor Eugênio fala sobre a expansão da UFG nos últimos anos, da necessidade de se investir na qualificação do corpo docente, incentivando o pós-doutoramento, e da importância dos programas de extensão para o fortalecimento do elo entre a UFG e a sociedade.

Graduação
A UFG busca uma nova identidade. Passamos, ao longo dos nossos 45 anos, por uma fase de ampliação das 5 faculdades iniciais que formaram a UFG e hoje temos 73 opções de graduação. Então isso realmente demonstra nosso compromisso com expansão. Mas acho que é um novo momento da universidade. Precisamos investir mais na qualidade dos cursos. É preciso priorizar as ações administrativas que tenham reflexo diretamente na melhoria das condições de oferta. Por exemplo: laboratórios melhores, informatização mais eficiente, um plano diretor que possibilite uma visão global de construção e reforma, para que possamos buscar financiamento, até mesmo externa, para aprimorar a estrutura física da UFG. Todas essas ações têm de refletir na qualidade dos cursos. A expansão deve ser precedida de uma consolidação dos cursos já existentes.

Pesquisa
Nos últimos 10 anos, a pesquisa tem se desenvolvimento muito na UFG, principalmente em função do aumento da qualificação do nosso quadro docente. Temos 600 doutores e a maioria dos nossos mestres estão em doutoramento. Hoje somos muito mais competitivos na hora de buscar recursos dos órgãos financiadores públicos e nas empresas privadas. Mas cabe à administração, à reitoria, fornecer condições para que esses pesquisadores tenham mais tempo para se dedicar às suas atividades de pesquisa, ou seja, temos de apoiar a confecção dos projetos, o gerenciamento dos recursos e facilitar a vida do pesquisador. Precisamos insistir na qualificação, incentivar o pós-doutoramento, para que nossos pesquisadores levem conhecimento, principalmente ao exterior, e façam com que a universidade tenha uma inserção maior, melhor qualificação e, conseqüentemente, maior possibilidade de buscar recursos.

Fapeg
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás tem um papel preponderante. E isso é fácil de perceber quando examinamos uma das suas congêneres, que é a Fapesp, um divisor de águas na ciência em São Paulo. Existindo uma agência regional, podemos canalizar recursos para desenvolver pesquisas aplicada à realidade do Estado. Essa Fundação é essencial para o próprio desenvolvimento do Estado. A geração de conhecimento é uma das grandes maneiras de se tornar independente. Com a Fundação, vamos exportar nossa tecnologia, nosso conhecimento.

Extensão
A extensão vai ser uma prioridade. Essa nova identidade da UFG passa pelo compromisso social. A nossa universidade tem de estar mais presente na sociedade. Vamos realmente fortalecer e valorizar os projetos. Temos projetos maravilhosos na área de assistência à saúde, como o Hospital das Clínicas, e na área de cultura. Queremos valorizar esse tipo de projeto porque acreditamos que esse contato com a sociedade não só ajuda a transformar uma realidade de exclusão socioeconômica, mas também é importante para valorizar a universidade perante a sociedade, ou seja, que a sociedade seja um elo importante para valorizar a instituição pública, uma valorização política e que garante um maior aporte de recursos para que possamos realizar com qualidade todos os nossos processos de ensino, pesquisa, extensão e cultura.

Qualificação
Nossa universidade tem mudado muito seu perfil em função de um plano agressivo realmente na qualificação docente nos últimos 10 anos. Vamos incentivar nossos docentes a realizarem seu mestrado, doutorado e pós-doutorado. Nesse sentido, precisamos de políticas para que a UFG dê realmente um salto de qualidade e seja uma referência não somente regional, mas também nacional e internacional. É isso que queremos como projeto de qualificação docente. E com relação aos nossos servidores técnicos administrativos, é muito importante que possamos qualificar aqueles que estejam envolvidos com atividades fim da universidade e também capacitá-los a atender às expectativas pessoais e do trabalho, utilizando os recursos da universidade para que eles possam se capacitar e se qualificar. Houve um avanço importante no plano de carreira dos servidores, no qual os cursos de capacitação terão reflexo em termos de progressão funcional. A partir desse incentivo, os servidores têm satisfação pessoal com o progresso na carreira.