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"Em breve, controlaremos o HIV sem remédios diários", diz cientista alemão

Publicado em 25 agosto 2015

Em um futuro próximo, a Aids poderá ser controlada com drogas de longa duração que só precisarão ser tomadas com intervalos de meses. Essas drogas serão feitas com bases em estudos dos diferentes vírus HIV que afetam desde humanos a animais. Pelo menos esse é o objetivo de um estudo realizado na Alemanha.


A pesquisa liderada pelo cientista alemão Frank Kirchhoff, diretor do Instituto de Virologia Molecular da Universidade de Ulm, estuda o efeito dos diferentes tipos do vírus HIV existentes com o intuito de entender como cada um atua para, enfim, conseguir criar drogas mais eficazes no combate a eles. As informações são da Agência Fapesp.


Em seu estudo, Kirchhoff mostrou que a pandemia de Aids, que atinge ao menos 35 milhões de pessoas no planeta, está relacionada a um grupo viral específico, o HIV-1 M, que teria surgido em chimpanzés africanos ao sul de Camarões há cerca de 10 mil anos. O vírus teria surgido de recombinações de outros vírus existentes em pequenos macacos, como os do gênero Cercopithecus.


Vírus tem origem em macacos

 

A explicação para o grupo M ter sido o único capaz de se tornar pandêmico, segundo Kirchhoff, está no fato de que somente ele é capaz de desarmar todas as defesas antivirais naturalmente encontradas no organismo humano.


Estima-se que o primeiro caso de transmissão de HIV-1 para humanos tenha ocorrido em 1920, na região do Congo, possivelmente para caçadores que tiveram contato com o sangue contaminado dos animais. O grupo M teria sido transmitido pela primeira vez por volta de 1940.


Outros tipos do vírus, como o HIV-1 P, foi detectado em apenas dois indivíduos, o HIV-1 N infectou cerca de uma dezena de pessoas e, o HIV-1 O, milhares – praticamente todas na África.


Segundo Kirchhoff, será possível futuramente aplicar o conhecimento dessas e de outras pesquisas que estão em andamento em novas estratégias de controle do vírus. Com isso, será possível, em um futuro próximo, deixar de tomar as medicações diariamente para evitar a Aids.


"Não tenho certeza de que conseguiremos algum dia curar a infecção, mas penso que, no futuro, seremos capazes de controlar o vírus sem ter que tomar drogas diariamente. Estão surgindo drogas de longa duração, que só precisam ser tomadas com intervalos de meses. Isso será muito importante na África, onde muitos não têm condições de ir com frequência às clínicas".


Veja a entrevista completa do cientista Frank Kirchhoff aqui.

 

Do UOL, em São Paulo


*Com Agência Fapesp