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Em 1989, a USP formava 1.634 pesquisadores; no ano passado, foram 6.735

Publicado em 13 outubro 2020

Por Redação

Diariamente vemos nos noticiários informações sobre novas descobertas científicas feitas pelos chamados pesquisadores ou cientistas. Para chegar a esse posto, eles tiveram que percorrer um longo percurso acadêmico. O primeiro passo, realizar um curso de ensino superior. No Brasil, a continuação dos estudos depois de concluída essa etapa é a chamada pós-graduação stricto sensu, que inclui os chamados programas de mestrado e doutorado. A obtenção desses títulos permite desenvolver uma carreira de pesquisador, professor no ensino superior ou aperfeiçoar o conhecimento de um profissional.

Nos últimos 30 anos, a USP quadruplicou o número de pessoas formadas em mestrado e doutorado ao ano. Em 1989, a Universidade outorgou 1.634 títulos, no ano passado, a quantidade foi 6.735. Nesse período, as áreas de concentração de mestrado e doutorado passaram de 419 para 851.

Já o número de estudantes matriculados saltou de 12.914 para 29.295. Há ainda os chamados alunos especiais, aqueles que se matriculam para acompanhar aulas de determinadas disciplinas da pós-graduação, mas que não estão vinculados ao programa. Em 1989, eles eram 2.026, no ano passado, 8.933.

Os dados constam no Anuário Estatístico da USP 2020 , que traz informações sobre as atividades desenvolvidas pela Universidade ao longo de 2019 e foi publicado este ano pelo Escritório de Gestão de Indicadores de Desempenho Acadêmico (Egida). O anuário existe desde a década de 1980 e, nesta reportagem, o Jornal da USP traz um panorama a pós-graduação strict sensu. Lembrando que a USP também oferece cursos de pós-graduação lato sensu, ou seja, programas de especialização e incluem aqueles designados como MBA (Master Business Administration).

Pós-Graduação da USP de 1989 a 2019

Números por áreas

Fonte: Anuário Estatístico da USP 2020

Perfil dos cursos de mestrado e doutorado

Todos os cursos de pós-graduação de mestrado e doutorado da USP são gratuitos para o aluno. Assim não há taxa de matrícula ou mensalidade, seja para brasileiro ou estrangeiro. No entanto, os programas podem cobrar uma taxa para o processo seletivo, limitada a R$ 200,00.

Os cursos de pós-graduação stricto sensu são oferecidos em sua maioria pelas unidades de ensino e pesquisa da Universidade. Há aqueles chamados de interunidades, com caráter interdisciplinar e que desenvolvem suas atividades nas várias unidades participantes dos programas. A USP também possui cursos com a participação de uma ou mais instituições de ensino superior brasileiras ou estrangeiras (programas interinstitucionais).

A Universidade realiza acordos de cooperação com instituições reconhecidas internacionalmente que permite a mobilidade de estudantes e professores para desenvolvimento de estudos e pesquisas, realização de estágios de curta ou média duração, incluindo a orientação múltipla entre USP e instituições estrangeiras.

No ano passado, entre os estrangeiros que buscaram a Universidade para realizar sua pós-graduação, a maior parte se concentrava no programa de doutorado integrado de Bionergia. Ele envolve três universidades públicas estaduais de São Paulo: além da USP, a Unesp e Unicamp. No caso da USP, ele é oferecido pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz (Esalq), em Piracicaba.

No total, a Universidade contabilizou 38.228 alunos brasileiros e estrangeiros em seus programas de pós-graduação, sendo 29.295 estudantes matriculados nos cursos de mestrado e doutorado, mais 8.933 alunos especiais. A maioria deles se concentrava em programas de pós-graduação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, em São Paulo.

Fonte: Anuário Estatístico da USP 2020

Financiamento da pesquisa

Tanto no mestrado quanto no doutorado, o pós-graduando precisa estudar de forma intensiva e por tempo prolongado. Em geral, no mestrado, são dois anos, e no doutorado, de quatro a cinco anos. Para se dedicar ao desenvolvimento da sua pesquisa, há agências de fomento que fornecem bolsas de estudos, ou seja, uma verba para que o pesquisador possa se manter financeiramente.

As principais são mantidas pelo governo federal: a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Em São Paulo, assim como em outros Estados, há uma agência de fomento estadual: a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

As bolsas oferecidas por essas entidades inclui ainda a iniciação científica, um programa de pesquisa voltado para quem ainda está na graduação; e o pós-doutorado, um programa para quem já concluiu o doutorado e pretende aperfeiçoar ainda mais seus conhecimentos. Essa considerada uma das formas de financiar e investir em pesquisa no País, já que o pagamento da bolsa permite ao cientista se dedicar ao seu trabalho.

A Capes além de ser um órgão de fomento, também avalia programas de pós-graduação. Ela gera notas, que vão de 1 a 7. As notas (ou conceitos) 1 e 2 implicam o descredenciamento do curso. Seus diplomas deixam de ter validade nacional. Na prática, isso significa que o curso é fechado, embora a Capes não tenha papel de polícia.

As notas 3 a 5 valem respectivamente “regular”, “bom” e “muito bom”. Além disso, há também os conceitos 6 e 7, que expressam excelência constatada em nível internacional. Somente os programas que têm doutorado podem aspirar às notas 6 e 7. A grande maioria dos programas de mestrado e doutorado da USP receberam notas de 4 a 7 no ano passado: 92,05%

BOLSAS RECEBIDAS POR

Fonte: Anuário Estatístico da USP 2020

Evolução da produção científica

Em relação à produção científica, o anuário traz o número de trabalhos de autores da USP indexados por duas bases de dados a Scopus e a Web of Science. O primeiro indexa periódicos científicos, páginas da internet, patentes, entre outros documentos relacionados à pesquisa. Já a Web of Science indexa somente os periódicos mais citados em suas respectivas áreas. É também um índice de citações, informando, para cada artigo, os documentos por ele citados e os documentos que o citaram.

Essas bases dados nos trazem informações sobre a influência da produção de determinado pesquisador, o impacto da produção na comunidade científica internacional, a parceria entre pesquisadores e instituições, índice de citação dos autores, entre outras.

BASE DE DADOS SCOPUS 2019

NÚMERO DE DOCUMENTOS INDEXADOS