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USP São Carlos

Em 1989, a USP formava 1.634 pesquisadores; ano passado, foram 6.735

Publicado em 14 outubro 2020

Por Assessoria de Comunicação

Diariamente vemos nos noticiários informações sobre novas descobertas científicas feitas pelos chamados pesquisadores ou cientistas. Para chegar a esse posto, eles tiveram que percorrer um longo percurso acadêmico. O primeiro passo, realizar um curso de ensino superior. No Brasil, a continuação dos estudos depois de concluída essa etapa é a chamada pós-graduação stricto sensu, que inclui programas de mestrado e doutorado. A obtenção desses títulos permite desenvolver uma carreira de pesquisador, professor no ensino superior ou aperfeiçoar o conhecimento de um profissional. Nos últimos 30 anos, a USP quadruplicou o número de pessoas formadas em mestrado e doutorado ao ano. Em 1989, a Universidade outorgou 1.634 títulos, no ano passado, a quantidade foi 6.735. Nesse período, as áreas de concentração de mestrado e doutorado passaram de 419 para 851. Já o número de estudantes matriculados saltou de 12.914 para 29.295. Há ainda os alunos especiais, aqueles que se matriculam para acompanhar aulas de determinadas disciplinas da pós-graduação, mas que não estão vinculados ao programa. Em 1989, eles eram 2.026, no ano passado, 8.933. Os dados constam do Anuário Estatístico da USP 2020, que traz informações sobre as atividades desenvolvidas pela Universidade ao longo de 2019 e foi publicado este ano pelo Escritório de Gestão de Indicadores de Desempenho Acadêmico (Egida). O anuário existe desde a década de 1980 e, nesta reportagem, o Jornal da USP traz um panorama da pós-graduação stricto sensu.  Lembrando que a USP também oferece cursos de pós-graduação lato sensu, ou seja,  programas de especialização e incluem aqueles designados como MBA (Master Business Administration). Informações sobre a pós-graduação na Universidade podem ser obtidas aqui.

Todos os cursos de pós-graduação de mestrado e doutorado da USP são gratuitos para o aluno. Assim não há taxa de matrícula ou mensalidade, seja para brasileiro ou estrangeiro. No entanto, os programas podem cobrar uma taxa para o processo seletivo, limitada a R$ 200,00.

Os cursos de pós-graduação stricto sensu são oferecidos em sua maioria pelas unidades de ensino e pesquisa da Universidade. Há aqueles chamados de interunidades, com caráter interdisciplinar e que desenvolvem suas atividades nas várias unidades integrantes dos programas. A USP também possui cursos com a participação de uma ou mais instituições de ensino superior brasileiras ou estrangeiras (programas interinstitucionais).

Para isso, a Universidade realiza acordos de cooperação com instituições reconhecidas internacionalmente que permitem a mobilidade de estudantes e professores para desenvolvimento de estudos e pesquisas, realização de estágios de curta ou média duração, incluindo a orientação múltipla entre  a USP e instituições estrangeiras.

No ano passado, entre os estrangeiros que buscaram a Universidade para realizar sua pós-graduação, a maior parte se concentrava no programa de doutorado integrado de Bionergia. Ele envolve três universidades públicas estaduais de São Paulo: além da USP, a Unesp e Unicamp. No caso da USP, ele é oferecido pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba.

No total, a Universidade contabilizou 38.228 alunos brasileiros e estrangeiros em seus programas de pós-graduação, sendo 29.295  matriculados nos cursos de mestrado e doutorado, mais 8.933 alunos especiais. A maioria deles se encontrava em programas de pós-graduação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, em São Paulo.

Financiamento da pesquisa

Tanto no mestrado quanto no doutorado, o pós-graduando precisa estudar de forma intensiva e por tempo prolongado. Em geral, no mestrado, são dois anos, e no doutorado, de quatro a cinco anos. Para se dedicar ao desenvolvimento da sua pesquisa, há agências de fomento que fornecem bolsas de estudos, ou seja, uma verba para que o pesquisador possa se manter financeiramente.

As principais são do governo federal: a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Em São Paulo, assim como em outros Estados, há uma agência de fomento estadual: a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

As bolsas oferecidas por essas entidades incluem ainda a iniciação científica, um programa de pesquisa voltado para quem ainda está na graduação; e o pós-doutorado, um programa para quem já concluiu o doutorado e pretende aperfeiçoar ainda mais seus conhecimentos. Essa é considerada uma das formas de financiar e investir em pesquisa no País, já que o pagamento da bolsa permite ao cientista se dedicar somente ao seu estudo.

A Capes, além de ser um órgão de fomento, também avalia programas de pós-graduação. Ela gera notas, que vão de 1 a 7. As notas (ou conceitos) 1 e 2 implicam o descredenciamento do curso. Seus diplomas deixam de ter validade nacional. Na prática, isso significa que o curso é fechado, embora a Capes não tenha papel de polícia.

As notas 3 a 5 valem respectivamente “regular”, “bom” e “muito bom”. Além disso, há também os conceitos 6 e 7, que expressam excelência constatada em nível internacional. Somente os programas que têm doutorado podem aspirar às notas 6 e 7.

A grande maioria dos programas de mestrado e doutorado da USP recebeu notas de 4 a 7 no ano passado: 92,05%.

Evolução da produção científica

Em relação à produção científica, o anuário traz o número de trabalhos de autores da USP indexados por duas bases de dados internacionais, a Scopus e a Web of Science. A primeira indexa periódicos científicos, páginas da internet,  patentes, entre outros documentos relacionados à pesquisa. Já a Web of Science indexa somente os periódicos mais citados em suas respectivas áreas. É também um índice de citações, informando, para cada artigo, os documentos por ele citados e os documentos que o citaram.

Essas bases dados nos trazem informações sobre a influência da produção de determinado pesquisador, o impacto da produção na comunidade científica internacional, a parceria entre pesquisadores e instituições, índice de citação dos autores, entre outras.

Hérika Dias – Jornal da USP