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Jornal O Imparcial (Araraquara, SP)

Elson Longo fala sobre pioneirismo no desenvolvimento de tecidos antivirais

Publicado em 01 agosto 2020

Por Da Redação

Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em associação com a Universidade Jaume I e a empresa de tecnologia Nanox, desenvolveram um tecido com propriedades antivirais capazes de eliminar o agente causador do Covid- 19. O material é feito de nanopartículas de prata e sílica e remove vírus em dois minutos. O tecido já está sendo usado na fabricação de roupas e, em particular, equipamentos de proteção individual (EPIs) para profissionais de saúde. Mas quem pensa que a tecnologia surgiu com a pandemia está errado. A investigação começou há 14 anos, durante a orientação de doutorado de Gustavo Simões, um dos proprietários da empresa Nanox.

"A intenção era produzir um tecido resistente a fungos e bactérias. Quando o coronavírus chegou, a tecnologia já estava desenvolvida para matar bactérias e vírus”, explica Elson Longo, Professor Emérito da UFSCar e diretor do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e e recebe também investimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a partir do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia dos Materiais em Nanotecnologia (INCTMN). O vírus morre devido a um processo de oxidação. “É como se o tecido tivesse mecanismos que possam queimar bactérias, fungos e vírus. Quando você tem uma lesão, há inflamação. Despejamos peróxido de hidrogênio e aí você está oxidando as bactérias. É isso que o tecido faz. A química orgânica é geralmente usada em processos de remoção de fungos e bactérias. Mas a equipe procurou outra maneira, a Química Inorgânica, combinada com semicondutores.

Com sílica e prata metálica, há um efeito plasmônico da prata”, disse Longo. Esse fenômeno pode absorver elétrons ou fornecer elétrons facilmente. “Vimos que os semicondutores tinham uma grande capacidade de quebrar a molécula de água, formando um radical hidróxido e um próton. Do outro lado, há um elétron para o oxigênio, que forma um íon peróxido e absorve esse próton e forma um radical peróxido. Este radical peróxido e o radical hidróxido oxidam bactérias, fungos e vírus”, explica. O tecido tem uma durabilidade de dois anos, suporta pressão e altas temperaturas. A ação antiviral resiste a 30 a 35 lavagens e o custo de produção do tecido especial é 5% maior que o normal. Em relação à inovação e ao progresso na luta contra o Covid-19, o diretor da Nanox, Gustavo Simões, acredita que mais e mais pesquisas fornecem soluções para a sociedade. “O método que desenvolveu a tecnologia é totalmente novo na literatura. A pesquisa foi desenvolvida para que, no futuro, tivéssemos elementos de proteção. Se hoje já tivéssemos roupas com um sistema antibacteriano, estaríamos mais protegidos, a pandemia não nos custaria tanto e poderíamos esperar a vacina com mais calma", avalia Simões.

Doação de EPIs para o Hospital Universitário de São Carlos

O Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF) em conjunto com a Nanox Tecnologia, spin off do Centro, e a ELKA doaram 240 máscaras reutilizáveis OTO e 27 pacotes de filtros para o Hospital Universitário da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), localizado em São Carlos -SP. A máscara respiratória OTO apresenta propriedades bactericidas, antifúngicas e antivirais. Essas propriedades são resultantes da adição de micropartículas de prata e sílica aos polímeros dos quais o respirador é feito. O equipamento é uma alternativa às máscaras N-95 indicadas para utilização pelos profissionais de saúde em ambientes hospitalares e tem a vantagem de poder ser reutilizada após ser higienizada com água e sabão e com a troca de seu elemento filtrante. Esses elementos são descartáveis, do tipo PFF2.