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Elevação de 2 graus na temperatura vai reduzir em 30% distribuição de Mata Atlântica

Publicado em 26 agosto 2013

Caso a temperatura nas áreas remanescentes de Mata Atlântica avance dois graus Celsius, a distribuição de árvores dessa floresta pode sofrer redução de 30% em 2100, alerta o coordenador do Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo (Biota-Fapesp) e pesquisador do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas, Carlos Joly.

Segundo o pesquisador, aumento de dois graus Celsius é a projeção mais otimista dos trabalhos reunidos pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). No cenário pior, em que o aquecimento pode chegar a quatro graus, a redução pode chegar a 65%.

Joly explica, em reportagem da Agência Fapesp, que o porcentual resultou de levantamento que começou com herbários. "Identificamos pelo menos 30 pontos de ocorrência exata de árvores da Mata Atlântica e, com isso, fizemos um mapa de onde elas ocorrem hoje em determinadas condições de temperatura, precipitação, tipo de solo e altitude", explica Joly.

Considerando os 30 pontos iniciais, o passo seguinte foi usar um algoritmo para calcular em que outros lugares haveria potencial para a ocorrência das espécies, o que deu origem a um segundo mapa. De acordo com o pesquisador, "isso nos permitiu dizer que determinada espécie é capaz de ocorrer em certa localidade, sob certas condições anuais de temperatura e precipitação".

Em seguida, as projeções do IPCC permitiram traçar o panorama de 2100, considerando cenários mais e menos otimistas. "Estimamos que a porção nordeste dos remanescentes - onde a estimativa é que também haja redução significativa de chuvas - vá diminuir. E a distribuição geográfica das espécies ficará mais restrita a áreas como a Serra do Mar, onde a precipitação é garantida e o relevo impede que a temperatura suba demais", afirma Joly.