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O Estado do Paraná

Eletromagnetismo gera dúvida

Publicado em 06 março 2008

Agência Fapesp

Pesquisas apontam que tal exposição poderia causar doenças como distúrbios neurodegenerativos e câncer.

São Paulo - Os efeitos à saúde humana da exposição a campos eletromagnéticos de linhas de transmissão de energia elétrica ainda não são totalmente conhecidos, uma vez que os resultados de estudos científicos sobre o assunto são conflitantes. Algumas pesquisas apontam que tal exposição poderia causar doenças como distúrbios neurodegenerativos, problemas cardíacos e câncer. A leucemia em crianças é uma das fontes de preocupação, devido ao número de evidências que atribuem, como uma de suas causas, a proximidade das residências de pacientes com as linhas de transmissão.

"A exposição eletromagnética a 60 Hz, que é o espectro de freqüência utilizado para a transmissão de energia elétrica, gera campos que criam cargas elétricas na superfície do corpo humano, enquanto, ao mesmo tempo, os campos magnéticos penetram e criam correntes internas dentro do organismo", disse Flavio Barbieri, coordenador do Projeto Projeto EMF-SP (Electromagnetic Fields, na sigla em inglês), desenvolvido pela Associação Brasileira de Compatibilidade Eletromagnética (Abricem) em conjunto com instituições acadêmicas de São Paulo. O evento ocorreu na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo ele, o sistema elétrico do Estado de São Paulo atende aos limites de radiação eletromagnética adotados pela Comissão Internacional para a Proteção contra Radiação Não-Ionizante (ICNIRP) e recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Mas estudos conduzidos por pesquisadores vinculados ao Projeto EMF-SP, que é apoiado pelos ministérios da Saúde e de Minas e Energia, poderão subsidiar políticas públicas para a adoção de limites mais restritivos. "O nosso maior desafio é estudar os tipos de efeitos que esses campos geram dentro do organismo humano, uma vez que seus mecanismos de ação ainda não são bem conhecidos", afirmou Barbieri.

O problema é potencializado em grandes centros urbanos, que conta com cerca de 900 quilômetros de linhas de transmissão de alta voltagem, sendo que muitas passam a poucos metros das residências, sobretudo em habitações irregulares na periferia.

O professor titular do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP Victor Wünsch Filho apresentou um estudo epidemiológico que está avaliando a associação entre a exposição a campos magnéticos de 60 Hz, considerados de baixa freqüência, e a incidência de leucemia linfocítica aguda (LLA) em crianças. "Cerca de 20 trabalhos dessa natureza foram realizados em outros países nos últimos 25 anos. O nosso é o primeiro na América do Sul. Precisamos elaborar nossas próprias referências e produzir dados científicos originais devido às particularidades do nosso País", explicou.