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Correio Popular

Eleições - Serra faz campanha para Alckmin

Publicado em 11 outubro 2006

Por Tote Nunes, Agência Anhangüera

Depois de oferecer um apoio nada além de discreto no primeiro turno, o governador eleito José Serra (PSDB) decidiu entrar de vez na campanha pela eleição de Geraldo Alckmin (PSDB) à Presidência. Ontem à tarde ele reuniu lideranças regionais em Santa Bárbara d'Oeste, na Região Metropolitana de Campinas (RMC), e fez um apelo. "Precisamos avançar pelo menos 500 mil votos em São Paulo", disse. "Eu não vim pedir aqui pedir o voto de vocês. Vim convocar a militância a buscar votos fora daqui (do partido)", acrescentou. Segundo ele, a estratégia tucana a partir de agora é lutar pelos votos dos que estavam com o PDT e o PSOL no primeiro turno, além de convencer os indecisos. "Alckmin foi para o segundo turno por causa de São Paulo e agora pode vencer pela força do voto paulista", afirmou.
Serra fez as contas e concluiu que a candidatura Alckmin tem potencial de crescimento na região de Campinas. Segundo ele, os votos do PSDB na região ficaram abaixo da média no Estado. "Enquanto tivemos 58% dos votos no Estado de São Paulo, na região ficaram em torno de 54%", disse. "O piso, o mínimo que queremos, é igualar a média estadual", afirmou.
O governador eleito fez uma espécie de catequese e ensinou como a militância deve se comportar nas próximas semanas. "Temos de fazer comparações entre um jeito e outro de fazer política", disse. E iniciou ataques sucessivos a Lula e ao PT. "O PSDB é um partido republicano no melhor sentido da palavra porque não confunde governo com partido. E nisso (em confundir as duas instituições) o PT é mestre", afirmou.
"Precisamos perguntar (ao eleitor) onde estão os 10 milhões de empregos prometidos por Lula", ensinou. "Precisamos perguntar onde está o crescimento econômico prometido", acrescentou. "As pessoas (os eleitores não-tucanos) precisam saber que o Brasil teve o menor crescimento da América Latina, ou então precisam saber que a Bolsa Família foi criada a partir de uma mistura de um programa do Fernando Henrique (o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso) e a Bolsa Alimentação, que eu próprio criei."
O Bolsa Família é um programa de transferência de renda. O beneficiado recebe dinheiro do governo federal e, em troca, deve atender a algumas exigências, como mandar os filhos à escola e manter as vacinas em dia. O Bolsa Família reúne quatro programas sociais: Bolsa Escola, Cartão Alimentação, Bolsa Alimentação e Auxílio Gás. Atende hoje 11,1 milhões de famílias e aproximadamemte 44 milhões de pessoas e se transformou numa das principais bandeiras do governo federal.
De acordo com a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), foram criados 7,6 milhões de empregos entre 2003 e 2006 — dos quais, 5,7 milhões com carteira assinada. Trata-se do segundo maior índice de crescimento de empregos desde que a pesquisa começou a ser feita, em 1985.
Serra alertou os militantes que realizarem o contraditório: "Precisamos nos informar sobre todos os aspectos do governo para que possamos debater e convencer os indecisos". Serra reuniu as principais lideranças regionais. Convocou para o encontro com a militância todos os deputados eleitos do PSDB e PFL, além de alguns apoios de outros partidos, como o PV.
Serra preferiu não comentar o escândalo da tentativa de compra do dossiê contra tucanos e o suposto envolvimento do tucano Barjas Negri no esquema dos sanguessugas.

A frase
"Estou vivendo o melhor período da vida de um político, aquele entre a vitória e a posse."
José Serra
Governador eleito de São Paulo

Ex-reitor da Unicamp pode integrar equipe
O governador eleito José Serra (PSDB) admitiu ontem que o ex-reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o físico Carlos Henrique Brito Cruz, pode integrar a equipe de governo. Serra não quis falar sobre a composição do secretariado, "para evitar especulações" , segundo explicou, mas admitiu que Brito Cruz pode assumir alguma secretaria. "Ele está cotado para trabalhar conosco, mas ainda não sei para onde", disse, em uma entrevista tumultuada, depois do encontro com militantes do partido, em Santa Bárbara d'Oeste. O físico — que atualmente é diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Eastado de São Paulo (Fapesp) — poderá assumir a Secretaria do Desenvolvimento Econômico, uma nova pasta a ser criada a partir da Secretaria de Ciência e Tecnologia. Serra garantiu que será o único responsável pela montagem da equipe.