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Agora São Paulo

Eleição afeta votação do pacote de Doria

Publicado em 14 outubro 2020

À dificuldade do governo João Doria (PSDB) em aprovar seu projeto de reforma administrativa e ajuste fiscal (projeto de lei 529) na Assembleia Legislativa de São Paulo tem ganhado contornos eleitorais.

Deputados estaduais que são candidatos a prefeitura, como Arthur do Val (Patriota) e Marina Helou (Rede) têm trabalhado na obstrução ao projeto ao lado de outros deputados e bancadas que, na eleição municipal, fazem oposição ao candidato de Doria, o prefeito Bruno Covas (PSDB), que tenta a reeleição.

Depois de enfrentar oposição à esquerda e à direita com sucessivas derrotas no plenário, Doria foi obrigado a recuar e a modificar pontos do projeto. Com as concessões do Palácio dos Bandeirantes, governistas esperavam que o projeto fosse aprovado em nova votação na noite desta terça-feira (13), mas a sessão não havia sido encerrada até a conclusão desta edição.

Além das bancadas de PT, PSOL, PC do B e PSL, que costumam fazer oposição a Doria e lançaram seus candidatos à prefeitura — Jilmar Tatto (PT), Boulos (PSOL), Orlando Silva (PC do B) e Joice Hasselmann (PSL) —, a obstrução foi abraçada também por nomes que em geral votam com o governo.

É o caso de Caio França (PSB), filho do candidato Márcio França (PSB), crítico de Doria. Em uma etapa da votação do projeto no último dia 30, em que o governo perdeu por um voto, Caio se colocou contra.

Já a bancada do Republicanos está em situação delicada. Embora o partido tenha lançado Celso Russomanno à Prefeitura de São Paulo, a legenda ainda faz parte da base do governo Doria. A maioria dos deputados do Republicanos se posicionou a favor do projeto.

O projeto de Doria, que visa cobrir o rombo de R$ 10,4 bilhões causado pela pandemia, foi apresentado no dia 13 de agosto. A proposta abarcava uma série de temas, como aumento de impostos, uso da verba da Fapesp e extinção de dez órgãos públicos.

(Folha)