Notícia

B2B Magazine

Elefantinho preso ao poste

Publicado em 01 fevereiro 2007

A crescente e constante velocidade do avanço tecnológico é um fato que não nos surpreende porque já ficamos acostumados Em menos de dois anos os celulares se transformaram em reprodutores de mp3, e hoje é comum que os utilizemos assim. Em dois anos, a câmera no celular se transformou em condição do aparelho. Há menos de um ano pode-se escolher se quer ou não ser cliente de uma operadora de telefonia fixa. Faz somente dois anos que celulares inteligentes são uma realidade, e ainda hoje não tem preço que garanta escala. Todas estas mudanças vertiginosas e significativas em conteúdo não foram acompanhadas por uma mudança na regulação, e por isso, muitos negócios não conseguem ser alavancados e muitas empresas são beneficiadas em detrimento de outras.
Tudo isto se agrava se pensamos que o Brasil é hoje um dos principais mercados do mundo em telefonia móvel, atingindo 100 milhões de celulares, porém com a regulamentação atrasada nesta área, já que praticamente não contempla a convergência, o que impede o acirramento da concorrência e a consolidação de novos modelos de negócio. 100 milhões de celulares além de ser um grande negócio é um dos processos de mudança em relação à inclusão que já tivemos e uma porta de entrada para vários novos serviços, mas que nada os relacionados a governo eletrônico.
A convergência cria um mercado complexo de TIC que até então não existia, mas como não há regulamentação definida, não há como haver licitações, não há como se comprar. Enquanto isso, as empresas vão criando alternativas, modelos de negócios para dribla uma lei desatualizada e emperrada em trâmites burocráticos Isso porque temos um marco regulador atrasado, obsoleto Há trabalhos importantes que já vem sendo feitos neste sentido, o JBCD (Instituto Brasil para Convergência Digital) fundado em 2004, congrega empresas produtoras de softwares, produtos e serviços em que convergem áudio, vídeo, texto, dados, que unem forças para apoiar a construção de uma via comum de geração, aprimoramento e distribuição do conhecimento humano e social, contribuindo para o desenvolvimento sócio-econômico do Brasil.
Os indianos têm uma tradição muito interessante Quando um elefantinho nasce e consegue ficar em pé, amarram uma cordinha no pescoço e depois a um poste fincado no chão. O elefantinho não consegue se soltar porque ainda não tem força suficiente. Quando ele cresce, com somente um poste próximo dele, se consegue que ele fique no lugar, imóvel, sendo segurado somente pela questão simbólica da proximidade do poste.
Se continuarmos a olhar o mercado de telefonia tal como era há dez anos estaremos repetindo a cena do elefantinho, ficando imóveis enquanto a realidade gira a uma outra velocidade, e o mercado internacional, tanto para oferta de novos produtos como para a demanda dos nossos, anda rápido e não dá espaço a vacilações. Como já disse em outras ocasiões, em tecnologia, nos determos significa retroceder e não simplesmente não avançar.

Florencia Ferrer é doutora em Sociologia econômica coordenadora do Ned-Gov (Fundap-Fapesp) e diretora —predidente da FF Pesquisa & Consultoria/e-stratégia pública florência@e-strategiapublica.com.br. Colaborou neste artigo Bete Costa diretora de comunicação e novos negócios da FF Pesquisa & Consultoria/ e-stratégia pública
bete@e-strategiapublica.com.br
www.e-estrategiapublica.com.br