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Pequenas Empresas & Grandes Negócios

Ei, você aí, me dá um dinheiro aí

Publicado em 01 fevereiro 2005

Saiba como se beneficiar das poucas linhas de financiamento baixo custo existentes no Brasil

As linhas de financiamento barato para empresas, como você está cansado de saber, são uma raridade no Brasil. Mas existem algumas opções, principalmente as que são oferecidas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O banco desembolsou no ano passado 40 bilhões de reais para financiar projetos de investimento, 14% a mais do que os 35 bilhões de reais liberados em 2003, principalmente em razão de liberações adicionais para negócios nas áreas de agropecuária e infra-estrutura. Mas, ainda assim, encerrou 2004 sem cumprir o orçamento de 47,3 bilhões de reais.
Das liberações de 2004, 32% (12,5 bilhões de reais) foram para micro, pequenas e médias empresas, com crescimento de 25% sobre o volume do ano anterior, o cartão BNDES, instrumento que fornece crédito de até 50.000 reais para empresas de pequeno porte, fechou 2004 com 27.807 plásticos emitidos. Em 2003, foram distribuídos apenas 2.160 cartões. O Bradesco foi o agente que repassou maior volume de desembolsos do BNDES, com 3,1 bilhões de reais no ano passado. Em seguida, vieram Banco do Brasil (3 bilhões de reais), Unibanco (1,6 bilhão de reais) e Safra (1,3 bilhão de reais).
Os bancos atendem gente como o empresário Ivan Calia Barchese, 30 anos, sócio da Mextra, empresa metalúrgica sediada em Diadema, na Grande São Paulo. Juntamente com a irmã Valéria, hoje com 32 anos, ele assumiu em 1998 a empresa fundada 20 anos antes por seu pai. Uma de suas prioridades foi desenvolver uma espécie de pastilha feita de sucata que, ao ser dissolvida no alumínio fundido, confere ao metal propriedades especiais, entre elas, uma maior resistência — por exemplo, para ser usado em rodas de carros. O produto fez muito sucesso, inclusive no mercado internacional. Para atender à demanda, Barchese resolveu construir uma nova fábrica, em Taubaté, no interior de São Paulo. O dinheiro, 1,8 milhão de reais, veio do BNDES. O papagaio, com taxa de 14% ao ano, previa um ano de carência para o início dos pagamentos e cinco anos para amortizar o financiamento  Como as taxas médias cobradas pelos bancos nas operações de crédito convencionais estão na faixa de 70% ao ano ou até mais, pode-se dizer que foi um negócio e tanto. Além do empréstimo do BNDES, Barchese conseguiu 875.000 reais, a fundo perdido, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), para financiar a pesquisa da pastilha. "Os aportes permitiram aumentar nosso faturamento de 300.000 reais em 1998 para 18 milhões de reais em 2004", diz Barchese.
Já a Bom de Vera, uma confeitaria fundada há 18 anos  em Fortaleza, no Ceará, conseguiu do BNDES um empréstimo de 2 milhões reais em 2000. O objetivo principal era construir uma fábrica de 4.000 metros quadrados. As novas instalações permitiriam suprir a demanda de produtos por parte da rede, cuja expansão começara em 1997 e já somava oito lojas — cinco próprias e três franqueadas. Possibilitariam também tirar a produção de dentro da casa do dono, Edson Braga Filho, onde os produtos eram feitos desde a fundação do negócio. Com a oferta de doces e salgados garantida, o empresário voltou a crescer e hoje soma 17 lojas espalhadas pelo Nordeste. Em 2005, pretende abrir sete novos pontos na região e dois em Vitória, no Espírito Santo.