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Eficácia sem efeito colateral

Publicado em 19 março 2012

RIO — Presentes tanto na composição de remédios para uma gama variada de doenças quanto na fórmula de cremes, hidratantes e o que mais o robusto mercado de estética permitir, plantas com aplicação terapêutica derrubaram preconceitos e, com o aval da ciência, hoje ocupam papel de destaque em tratamentos médicos e estéticos. Com eles, atraem a atenção para a riqueza da flora brasileira, de onde duas plantas devem originar, em breve, novos produtos para esse mercado. As aplicações são diferentes, mas a promessa, a mesma: eficácia, sem efeitos colaterais.

Quem tem pele sensível e costuma sofrer com irritações ao usar cosméticos pode receber com alívio fórmulas antienvelhecimento com extrato concentrado da Physalis angulata, uma planta encontrada na maior parte do país, mas principalmente na Amazônia. Chamada popularmente de camapu (mas também conhecida como juá, balãozinho e saco de bode), ela é rica em substâncias como flavonoides, que têm ação anti-inflamatória, semelhante à de corticoides, que já era conhecida dos pesquisadores.

Mas um estudo iniciado em 2006 pela empresa Chemyunion Química, fabricante de matérias-primas para as indústrias cosmética e farmacêutica, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp), utilizou um processo com dióxido de carbono e livre de solventes, que costumam desencadear irritações, para extrair os princípios ativos da planta. O resultado é uma substância concentrada, com aplicação antienvelhecimento, que pode ser dosada da maneira desejada e que não causa reações.

— As peles claras são mais suscetíveis a irritações, e o mercado precisa de produtos com este perfil — lembra a dermatologista Karin Adriane Helmer, da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

 

Desde março de 2011, o extrato é vendido a fabricantes de cosméticos nacionais e internacionais, que estão desenvolvendo os produtos com esta característica, segundo Márcio Antonio Polezel, coordenador da pesquisa. Tão ou mais incômoda que dermatites, a dor de dente é outro mal que pode, em breve, ter uma solução de origem natural.

A pesquisadora Françoise Barbira Freedman, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, descobriu o poder anestésico da Acmella oleracea enquanto viveu, por mais de 30 anos, com a tribo Keshwa Lamas, no Peru — embora a planta, conhecida popularmente como jambu seja nativa do Brasil e muito popular na região Norte do país. Para a pesquisadora, a planta, com sua característica anestésica, é uma alternativa aos medicamentos sintéticos contra dor de dente, como anti-inflamatórios não esteroides. Seus efeitos colaterais incluem úlcera, enjoos e vômitos.

A planta bloqueia as terminações nervosas, aliviando a dor por mais de uma hora. Os primeiros ensaios clínicos do gel de A. oleracea foram positivos. Se aprovado nos próximos testes, ele pode chegar ao mercado em 2014, pela empresa da professora, ligada à universidade.

 

FONTE: O GLOBO – RJ