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Efeitos do El Niño afetaram, por anos, os corais na Bahia

Publicado em 09 setembro 2013

Um estudo divulgado recentemente pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) revela que mais de uma década foi necessária para que os recifes de corais do Norte da Bahia superassem os efeitos negativos ocasionados pelo maior El Niño dos últimos tempos, entre os anos de 1997 e 1998.

O biólogo Francisco Kelmo, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), junto ao pesquisador Martin J. Attrill, da Universidade de Plymouth, na Inglaterra, foram os responsáveis pela pesquisa. Entre 1995 e 2011, eles acompanharam a situação de oito espécies de corais em quatro regiões do litoral baiano: Itacimirim, Guarajuba, Abaí e Praia do Forte.

Os pesquisadores ficaram surpresos ao calcular o tempo que foi necessário para que os corais voltassem a apresentar a mesma biodiversidade de antes. Kelmo e Attril não esperavam que fossem necessários tantos anos para a total recuperação. "Não tínhamos ideia de que a recuperação demoraria 13 anos", afirma Kelmo.

Durante esse período, todas as espécies de corais apresentaram altas taxas de mortalidade, sendo que uma delas, a Porites astreoides, permaneceu sem nenhum registro de ocorrência nos recifes durante sete anos - entre 2000 e 2007.

Causado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Sul, o El Niño provoca mudanças no regime de chuvas e secas e também na temperatura atmosférica em várias partes do planeta. No Nordeste, costuma intensificar o período de estiagem e o calor. As mudanças climáticas favorecem a ocorrência do fenômeno chamado branqueamento, facilmente identificável por fazer os corais desbotarem, podendo causar a sua morte.

El Niño

O El Nino é um aumento de temperatura do Oceano Pacífico Equatorial, geralmente perto do litoral do Peru e do Equador, que pode ser superior a 4º C. O fenômeno costuma atingir seu ápice perto do final do ano.

O esquentamento das águas do oceano, dependendo de sua intensidade, pode provocar mais chuvas em algumas partes do planeta e menos em outras. No Brasil, o fenômeno costuma causar mais enchentes na Região Sul e agravar a seca no Nordeste .

Branqueamento

Observado em recifes de regiões distantes milhares de quilômetros umas das outras, como na costa da Austrália e no oceano Índico, o branqueamento é um indício da influência das mudanças no clima e do aumento da temperatura dos oceanos sobre os corais. Em alguns casos, a elevação de apenas 1º C na temperatura da água pode causar até mesmo a morte do coral ou a expulsão de algas microscópicas (zooxantelas) que vivem em seu interior.

Quando o ambiente se altera além de um limite, as substâncias produzidas pelas zooxantelas parecem se tornar tóxicas para os corais, que então eliminam as algas responsáveis por suas cores típicas. Em conseqüência, desbotam e podem morrer (dependendo da quantidade de algas que perderem).

Os especialistas alertam para o risco de os corais desaparecerem nas próximas décadas, caso nada seja feito para conter o aumento da temperatura do planeta.