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Universia Brasil

Educação para a mídia será tema de pesquisa e extensão na USC

Publicado em 05 novembro 2007

A partir de novembro, a Universidade do Sagrado Coração irá desenvolver o projeto "Media Literacy no Ensino Médio - atividades de leitura e escrita para professores e alunos". A pesquisa recebeu apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e terá duração de dois anos. A partir de fevereiro do ano que vem, a universidade irá convidar alunos e professores das escolas de Ensino Médio de Bauru para experimentar as atividades educativas com mídias, que serão desenvolvidas na pesquisa. 

"O estudo da mídia no Ensino Médio já é praticado em países como Canadá e Inglaterra há mais de 20 anos", explica a professora Alexandra Bujokas, coordenadora da pesquisa. "Nas escolas brasileiras, os meios de comunicação passaram a fazer parte do currículo escolar principalmente após as reformas educacionais promovidas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, mas nossa experiência ainda é um pouco imatura. Faltam diretrizes pedagógicas, definição de habilidades e competências, materiais didáticos específicos, a exemplo do que ocorre com outras áreas do currículo".

O projeto da USC coloca em prática os fundamentos estudados durante o pós-doutorado que Bujokas realizou na Open University, Inglaterra, entre agosto de 2006 e julho de 2007 como bolsista do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). O objetivo da pesquisa foi investigar como o Reino Unido desenhou e está implementando a política pública de educação para a mídia, aprovada pelo governo britânico em 2003. "Naquela pesquisa, investiguei a história da mídia-educação inglesa, os fundamentos teóricos que guiam o trabalho atual de professores e produtores de materiais pedagógicos, as técnicas usadas no trabalho em sala de aula e as diretrizes da política pública mais recente", explica. "Meu foco principal foi o uso das mídias digitais, e é esse mesmo foco que iremos manter no projeto da USC".

Estudos realizados por pesquisadores ingleses sugerem que a popularização da internet está criando um abismo entre professores e alunos. Os jovens, na maioria das vezes, dominam o uso das tecnologias melhor que os professores,mas, pela própria condição de seres humanos ainda inexperientes, não percebem os mecanismos de influência, as distorções e os perigos do uso imaturo dos meios de comunicação. Os professores, por outro lado, apesar de serem adultos experientes, têm dificuldade para tratar das mídias na escola, porque não dominam os recursos técnicos e têm pouco conhecimento sobre o papel e o funcionamento dos meios de comunicação.

"A atitude natural do professor, numa situação dessas, é aderir ao discurso de cunho moral, criticando o gosto e o comportamento do jovem", explica Bujokas. "Começando uma aula desse modo, de antemão, ele desperta a antipatia e a resistência dos estudantes, e é pouco provável que consiga tratar de questões centrais para a leitura crítica das mídias. Daí a originalidade da proposta pedagógica da media literacy, que muda o foco da crítica para a preparação para usar as mídias".

Na prática, trocar a crítica pela preparação implica em criar atividades que façam o aluno se distanciar dos produtos culturais que consome e analisá-los do ponto de vista da linguagem e das técnicas de produção. "Uma atividade fundamental é a produção de conteúdo, que ficou mais fácil com a chegada das mídias digitais", explica Bujokas. "Os alunos podem, por exemplo, estudar peças publicitárias que vêem na TV e produzir suas próprias peças. O problema é que o professor precisa saber como conduzir essa atividade de produção, para que o exercício seja uma oportunidade de reflexão sobre o conteúdo e a linguagem da mídia, senão a atividade acaba sendo uma mera celebração das vontades do aluno".

O financiamento concedido à USC pela Fapesp será usado para construir um laboratório de mídia-educação, com computadores, câmeras fotográficas e gravadores digitais. Esses equipamentos serão usados pelos participantes para criar conteúdos usando as linguagens do design gráfico, do documentário fotográfico, do jornalismo, do programa radiofônico e do webvídeo, em sintonia com os referencias da área de Códigos, Linguagens e suas Tecnologias, que compõe o currículo do Ensino Médio.