Notícia

Gazeta Mercantil

Educação para a competitividade

Publicado em 28 abril 1997

Por Emerson Kapaz *
No início da década de 90, quando a globalização começou a mostrar sua cara no Brasil, iniciou-se um ciclo de recapacitação de recursos humanos de nível médio. Era preciso treinar metalúrgicos para a utilização da informática, remodelar escolas técnicas e dar aulas no chão-de-fábrica. Tudo isso foi e continua sendo feito dentro do conceito de que a educação é fundamental para a competitividade. Agora, uma segunda fase se inicia. Trata-se da recapacitação dos profissionais de nível superior. Num mundo de mudanças cada vez mais aceleradas, o que se aprendeu na faculdade precisa ser permanentemente atualizado com a aquisição de novos conhecimentos. Nesse contexto, a Fundação Carlos Alberto Vanzolini, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, acaba de criar um modelo louvável de recapacitação de nível superior. Trata-se da Rede Interativa de Educação Tecnológica para a Competitividade, criada em conjunto com a Fundação do Ensino de Engenharia da Universidade Federal de Santa Catarina. A Rede tem por objetivos criar e distribuir oportunidades de educação continuada a distância para os engenheiros e outras categorias profissionais da área tecnológica, no contexto das prioridades do desenvolvimento e da competitividade dos profissionais e das empresas instaladas no País. Para se ter uma idéia do alcance potencial da Rede, basta lembrar que no Brasil há meio milhão de engenheiros e profissionais da área tecnológica com formação universitária, além de 40 mil pesquisadores dos centros de pesquisa e desenvolvimento. A partir de 1999, a Rede estará qualificando ou recapacitando anualmente 100 mil profissionais de engenharia, com uma carga média anual de aprendizagem de 96 horas. Evidentemente, esse trabalho exigirá a montagem de parcerias com universidades, empresas privadas e instituições governamentais. Serão implantadas redes locais, que são comunidades de aprendizagem e conhecimento integradas pelos diversos parceiros interessados na educação continuada. Essas redes, que poderão formar-se por critérios regionais, vocacionais ou corporativos, estarão permanentemente interligadas, formando a Rede Interativa de Educação Tecnológica - para a Competitividade. Parcerias entre universidades e empresas possibilitarão espaços, tecnologias e programas de pós-graduação, especialização, atualização ou treinamentos. Receberão produtos e serviços em educação continuada a distância, elaborados pelo Laboratório de Desenvolvimento de Cursos Virtuais da Fundação Vanzolini e pelo Laboratório de Educação a Distância da Universidade Federal de Santa Catarina. Um programa-piloto já está em andamento. Em breve, engenheiros e profissionais técnicos de nível superior de todo o País terão a possibilidade de aprender a aprender, de forma continuada e personalizada, mediante modernos laboratórios de desenvolvimento e a utilização de recursos como Internet, CD-ROM, vídeos, etc. Uma série de programas, produtos e serviços estará disponível para empresas, profissionais e escolas. A Rede estará permanentemente — integrada com o que há de mais moderno no mundo. Tornará acessível conhecimento internacional, principalmente para os países latino-americanos, hispânicos e de língua portuguesa. E articulará parcerias com instituições internacionais para desenvolver e divulgar programas de interesse das empresas privadas. O modelo das redes interativas entrará em breve na pauta do Conselho Estadual de Ciência e Tecnologia, que estudará como apoiar sua multiplicação e examinará os mecanismos necessários para estendê-las à capacitação de nível médio. * Secretário da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo.