Notícia

Gazeta Mercantil

Educação e tecnologia

Publicado em 16 julho 1996

Por Paulo Barreira Milet*
É espantoso o avanço que se percebe quando nos relacionamos com os profissionais de qualquer área (médicos, dentistas, engenheiros, advogados, vendas, marketing, comunicações, etc., etc., etc.) e comparamos com essas mesmas profissões ou atividades 50 anos atrás, Todas mudaram! Todas avançaram! Todas incorporaram tecnologias de informação em seus processos! E a educação? Quando entramos em uma sala de aula atual, a não ser pelas roupas, aparências e atitudes de alunos e professores, a imagem é a mesma de muitos anos atrás. Um professor com a tarefa de ensinar, vários alunos com a disposição de (ou falta de) aprender, um quadro-negro, giz, lápis ou caneta, cadernos, livros, provas um horário para entrar, sair e recreio... Tudo absolutamente igual, ou com pequeníssimas modificações. Nenhuma ou quase nenhuma tecnologia associada a processo so Ensino-Aprendizado. Mas o mundo avança e rápido. O ritmo das mudanças é cada vez mais intenso. O volume de informações é brutal (existem estatísticas que dizem que a quantidade de informações contida em uma edição dominical do The New York Times é muitas vezes maior que o conhecimento editado nos primeiros séculos da era cristã). As tecnologias rompem fronteiras entre áreas, profissões e até países. O aprendizado é contínuo - nossas crianças sabem muito mais do que nós sabíamos com a idade delas (e não foi aprendido nas escolas). É preciso repensar totalmente as relações aluno-professor e aluno-escola. A tecnologia de informação está permitindo em várias organizações modernas o trabalho em casa. Quase um retorno à fase artesanal (pré-industrial) com relações profissionais tratadas no campo pessoal com a figura do mestre e aprendiz. Por que não na educação? Por que quinze anos de escola? Por que um professor para trinta alunos? Por que giz e quadro-negro? Por que reprovações? A educação tem de ser um processo contínuo, para a vida toda. Quem se formou há vinte anos e parou de estudar/aprender não é mais um profissional confiável. O papel repensado das nossas escolas de qualquer nível deve ser o de orientador e certificador do aprendizado. Ninguém ensina ninguém! As pessoas aprendem permanentemente. O papel dos educadores deve ser o de definir os melhores caminhos para o aprendizado, compilar material que facilite este aprendizado e avaliar os níveis de conhecimento adquirido, sempre com a preocupação de respeitar os ritmos individuais. Os professores devem deixar a acomodação de dar aulas burocraticamente para uma platéia desinteressada e enfrentar o desafio de preparar material de orientação e ensino que seja tão motivador quanto os videogames que prendem os jovens horas à frente de um computador. Alguns já devem estar dizendo: - Isso é muito caro! Isto está fora da nossa realidade! Isto é para o ano 2000! Isto é muito sofisticado! Ora, todas as tecnologias para isso já estão prontas. Os preços caem a cada dia nessa área (a produção de um CD-ROM com todos os livros necessários para dez anos de estudo sairia por menos de R$ 5,00!) O uso da tecnologia está cada vez mais simples e para o ano 2000 faltam apenas quatro anos. Não podemos tentar acompanhar o avanço dos países desenvolvidos seguindo os mesmos passos. A tecnologia permite saltos e devemos dá-los. Mesmo quando se fala em modernização ou em novos métodos de ensino, ainda avançamos pouco. Vejamos o ensino a distância. A própria expressão é relacionada com o velho paradigma "o professor que ensina está distante do aluno que aprende". O ensino atual é que deveria ser chamado de a distância. E o novo ensino (ou aprendizado) é que seria o ensino "próximo" onde todas as informações necessárias ao aprendizado estariam a um dedo de distância do aluno. Temos que caminhar para as universidades e escolas abertas, para a certificação do conhecimento, para o auto-aprendizado, para o aprendizado contínuo e permanente, para o ritmo próprio no aprendizado, para professores orientadores, para material didático fácil, prático, bem estruturado, flexível, agradável e interativo. Este artigo não pretende esgotar o tema, antes pelo contrário, quis apenas levantar um conjunto de idéias que devem ser trabalhadas com mais profundidade para que possamos entrar no ano 2000 em pé de igualdade com outros países do mundo. E isso é possível! * Consultor de informática, organização e qualidade total e diretor da MCG-Qualidade e da Telesoft Informática.