Notícia

Empreendedor (Florianópolis, SC)

Editorial

Publicado em 01 março 2013

Por Alexsandro Vanin

Falta de recursos é uma das reclamações mais comuns e frequentes entre o empresariado. Em parte, eles não deixam de ter razão, principalmente os micro e pequenos empreendedores, que sofrem com a escassez de microcrédito e as dificuldades de acesso às linhas de financiamento de bancos de fomento e até mesmo das caras instituições comerciais, problema também para empresários de médio porte. No entanto, quando o objetivo é inovar, isto não é verdade absoluta. Além de existirem recursos disponíveis em programas públicos (Finep, fundações estaduais como Fapesp e outras fontes) e privados (na maioria venture capital), inovar pode ser algo simples e de custos acessíveis, e deve ser uma prática presente no dia a dia de sua empresa.

O que falta, em grande parte, é cultura da inovação entre os empreendedores brasileiros. Herança de nossa colonização de exploração, da tradição católica de condenar o lucro, da abundância de recursos naturais e mão de obra barata, além dos muitos anos de instabilidade econômica? Talvez. Mas o fato é que a pesquisa GEM 2012 (Global Entrepreneurship Monitor) aponta que a grande maioria dos negócios iniciais (98,9%) lida com conhecimentos que ninguém considera novo, a orientação internacional é baixíssima (0,8% possui consumidores no exterior), e todos os entrevistados no levantamento afirmaram que a idade da tecnologia ou processos é superior a cinco anos. Entre os empreendimentos já estabelecidos, a situação é ainda menos favorável – 99,5%, 0,5% e 99,9%, respectivamente. O que, para os especialistas, revela um grau baixíssimo de inovação.

A situação chega a ser um disparate, já que empreendedorismo e inovação estão intimamente ligados – para muitos, são indivisíveis. O economista francês Jean-Baptiste Say (1767-1832), considerado o “pai do empreendedorismo”, aponta o empreendedor como alguém que inova e é agente de mudanças. Conceito aprofundado e difundido pelo economista austríaco Joseph Alois Schumpeter (1883-1950), que associou definitivamente o termo à ideia de inovação, como a fabricação de um novo bem, a introdução de um novo método de produção, a abertura de um novo mercado, a conquista de uma nova fonte de matérias-primas ou a realização de uma nova organização econômica. Para ele, empreendedor é aquele que catalisa o desenvolvimento econômico devido ao aproveitamento de oportunidades em negócios. E olha que a mesma pesquisa, realizada em 69 países, classifica o Brasil como um dos mais empreendedores do mundo.

As consequências para os empresários e para o País são as piores possíveis. A primeira é deixar de aproveitar oportunidades. Outra é perda de competitividade, especialmente internacional, mas também no mercado interno, tendo em vista que a economia é globalizada. Enquanto outros países investem pesado em inovação, inclusive nossos vizinhos sul-americanos e demais integrantes do Brics, o Brasil concentra suas vendas externas em commodities e produtos e serviços com pouco valor agregado. A lista de prejuízos é extensa, mas pode ser resumida numa sentença: inovar é sinônimo de sobrevivência no mercado, os negócios que se acomodam estão fadados a desaparecer. E quem não inova tampouco aparece.