Notícia

Agência de Notícias da Aids

Editorial da Folha de S.Paulo critica suspensão de financiamento de estudo de redução de danos pela FAPESP

Publicado em 03 julho 2007

Em editorial publicado nesta terça-feira, 3, a Folha de S.Paulo diz que a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) depõe contra si mesma "ao suspender financiamento de estudo sobre redução de danos com ecstasy, após ataques pela imprensa". O texto ainda diz que "ou bem a agência errou ao patrocinar um projeto que era ruim desde o início, ou erra agora ao cortar de modo abrupto as verbas com base em opiniões de leigos emitidas de fora da Fapesp." O editorial também ressalta que a redução de danos é uma estratégia que tem o aval da Organização Mundial da Saúde, do Ministério da Saúde, e "é utilizada em países como Holanda, Reino Unido e Canadá e já se provou útil, por aqui, para reduzir a incidência de infecções pelo vírus da Aids." Leia na íntegra.


Danos à Fapesp

É contra si mesma que a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) depõe ao suspender financiamento de estudo sobre redução de danos com ecstasy, após ataques pela imprensa. Alguns criticaram o fato de as pesquisadoras não terem condenado o uso da droga ilícita - limitaram-se a sugerir aos usuários certas cautelas na sua ingestão.

Ou bem a agência errou ao patrocinar um projeto que era ruim desde o início, ou erra agora ao cortar de modo abrupto as verbas com base em opiniões de leigos emitidas de fora da Fapesp. Não é assim que a ciência deve funcionar. Se dependesse do que pensavam seus pares, Copérnico não teria postulado o modelo heliocêntrico. Se dependesse da "vox populi", dinheiro público dificilmente seria destinado a áreas como a física de partículas, que demandam recursos vultosos e cuja "utilidade" é difícil explicar até para iniciados.

Para evitar essas dificuldades se criaram agências como a Fapesp, cuja missão é proceder a uma avaliação autônoma e técnica de cada projeto apresentado e decidir se vai ou não financiá-lo. Estudos equivocados devem ser suspensos, mas é preciso que o erro seja atestado pelo próprio sistema de avaliação "inter pares" da agência, seguindo os melhores protocolos internacionais, e não pelo clamor público.

O conceito de redução de danos é difícil de assimilar. Para alguns, sempre soará como chancela oficial às drogas. Do ponto de vista da saúde pública, no entanto, trata-se de reconhecer a complexidade da dependência - e a relativa intratabilidade em certas fases - e tentar evitar os impactos mais deletérios.

É uma estratégia que tem o aval da OMS, do Ministério da Saúde, é utilizada em países como Holanda, Reino Unido e Canadá e já se provou útil, por aqui, para reduzir a incidência de infecções pelo vírus da Aids.

Folha de S.Paulo