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Folha da Região (Araçatuba, SP) online

'Ecstasy: gato por lebre' é o tema de hoje do jornalista Wilson Marini

Publicado em 23 fevereiro 2015

Por Wilson Marini

Jovens do Interior Paulista e da região metropolitana da capital que turbinam suas baladas usando comprimidos da droga ecstasy podem estar comprando “gato por lebre” sem saber e aumentando o potencial de riscos, segundo estudo da Superintendência da Polícia Técnico-Científica de São Paulo. Menos da metade (44,7%) das drogas sintéticas apreendidas no estado contém o princípio ativo do ecstasy, a 3,4-metilenodioximetanfetamina, conhecida como MDMA, enquanto 20 outras substâncias ativas diferentes estão presentes nos comprimidos apreendidos. 

Foram analisadas quimicamente amostras de 150 apreensões realizadas pela polícia nas regiões de São José dos Campos, Sorocaba, Ribeirão Preto, Bauru, Presidente Prudente, Campinas e Grande São Paulo. O trabalho, divulgado esta semana no site da Revista Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), poderá ser usado para ajudar os serviços de saúde a realizar o tratamento correto em pessoas que vão parar nos hospitais por causa do uso desse tipo de droga. 

O estudo foi realizado pelo perito criminal José Luiz da Costa, do Núcleo de Toxicologia Forense da Superintendência da Polícia Técnico-Científica, em parceria com o bioquímico Rodrigo Resende, do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O objetivo era investigar quais as substâncias ativas presentes nos comprimidos vendidos como ecstasy. Não é de hoje que a polícia desconfia de manipulações envolvendo o mercado de ecstasy. 

O Departamento de Narcóticos da Polícia Civil (Denarc) há anos alerta para a venda de metanfetamina, ou “cristal”, um comprimido azul ainda confundido com o ecstasy, e constatado em 22% das amostras analisadas. Da mesma classe da anfetamina, mas mais potente e de efeito prolongado, a metanfetamina causa dependência e quadro muito semelhante ao da cocaína. 

Origem

A MDMA foi desenvolvida pelo químico alemão Anton Köllisch (1888-1916) para a indústria farmacêutica Merck, que a patenteou em 1912. A partir dos anos 1980, a substância viria a ser adotada em festas embaladas a música eletrônica. A procura é pelo efeito de aumento da serotonina, dopamina e noradrenalina no cérebro, que causam euforia, sensação de bem-estar e prazer e eliminam as inibições, deixando o usuário “mais sociável”. É associada a estimulantes sexuais. Entre os efeitos nefastos estão náuseas, desidratação, hipertermia, diminuição da concentração de sódio no sangue (que causa inchaço no cérebro) e hipertensão. 

A longo prazo, o ecstasy pode provocar cansaço, esgotamento, sonolência, depressão, ansiedade, ataques de pânico, indisposição, letargia, psicose, dificuldade de concentração, irritação ou insônia. No limite, os sintomas podem ocasionar exaustão, convulsões e mesmo a morte. Quando ingerido com bebidas alcoólicas, há risco de choque cardiorrespiratório, que também pode matar. 

Erro

De acordo com o que apurou a Revista Fapesp, a situação se complica quando alguém acha que tomou ecstasy e informa isso aos médicos, mas na verdade consumiu outra droga sem saber. “As pessoas vão à balada e não sabem mais o que estão tomando”, afirma com convicção o perito Costa. O perigo é potencializado porque os sistemas de saúde podem administrar o tratamento inadequado. A grande maioria das substâncias camufladas tem efeitos semelhantes ao do ecstasy, o que facilita a vida dos traficantes e confunde usuários e médicos nos prontos atendimentos.

Traficantes

O ecstasy puro, vindo da Europa, dominou o mercado de drogas sintéticas desde o seu surgimento no Brasil até meados da década passada. Desde então, com a repressão policial e legal, traficantes mudaram de estratégia e passaram a substituir o MDMA por outras substâncias, de efeito semelhante, mas vendendo-as como se fossem ecstasy, em comprimidos de cores e formatos iguais aos do original. 

Atualmente, segundo revela a publicação da Fapesp, as substâncias da moda são as catinonas sintéticas, um grupo de droga que inclui a mefedrona, a metilona, a metilenodioxipirovalerona, a flefedrona e a nafirona, também conhecidas como “sais de banho”. Elas são semelhantes à catinona natural, um alcaloide encontrado no arbusto khat, nativo de áreas tropicais da África Oriental e da península Arábica. São estimulantes, com efeitos semelhantes ao ecstasy e às anfetaminas.

Sustentabilidade

Nota anterior nesta coluna, sob o título acima, publicou declaração de Rubens Rizek, feita em dezembro último, na condição de secretário estadual de Meio Ambiente. Esclarece-se que, em 6 de janeiro, assumiu a pasta Patrícia Iglecias.