Notícia

Revista da Semana

Ecos do supercontinente

Publicado em 22 janeiro 2009

Fóssil no Brasil reforça tese da Pangeia

 

Uma descoberta feita por dois pesquisadores brasileiros ajuda a reforçar a tese da existência da Pangeia, o supercontinente da Era Mesozoica – no qual a América do Sul estava ligada à África – que posteriormente teria se separado e formado a atual composição. O paleontólogo Sérgio Furtado Cabreira e o biólogo Lúcio Roberto da Silva, ambos da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), no Rio Grande do Sul, encontraram um crânio de Luangwa, pertencente ao grupo dos cinodontes, os precursores dos mamíferos. "O fóssil sugere uma revisão na idade dos terrenos da região", afirmou Cabreira à Agência Fapesp.

Estima-se, com base no crânio encontrado no interior do Rio Grande do Sul, que o bicho tenha vivido há 240 milhões de anos – imaginava-se até hoje que as terras gaúchas tivessem 235 milhões de anos. São 5 milhões de anos que fazem muita diferença. Se a Luangwa ali estava, teria vindo, por terra, da porção africana.

Os cinodontes viveram entre os períodos Permiano e Jurássico e fósseis deles são comumente encontrados na África. O primeiro foi descoberto no vale de Luangwa, em Zâmbia, daí o nome do animal. O fóssil de 15 centímetros encontrado pelos cientistas é o mais completo já desenterrado na América Latina e está em perfeito estado de conservação, com maxilar, mandíbulas e dentição completa. Em média os cinodontes tinham 80 centímetros de comprimento, 60 centímetros de altura e 12 quilos. Tinham pelo e provavelmente sangue quente, informa o site G1. Encontrar um deles em solo brasileiro é um feito.