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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Economia Solidária é tema de Seminário Franco-Brasileiro

Publicado em 26 agosto 2009

A crise do emprego leva os indivíduos a se organizarem em busca de meios de sobrevivência. Por não conseguirem compor a lista dos incluídos em regimes duradouros de trabalho, a economia solidária passa a ser uma estratégia para comunidades organizadas se inserirem na sociedade. O Seminário Franco-Brasileiro sobre as Novas Configurações do Trabalho, realizado nesta quarta-feira (26), no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, tem como objetivo debater sobre o papel dos empreendimentos socioeconômicos da chamada Economia Solidária, destacando estudos de aplicados e teóricos realizados no Brasil e na França. O evento, de acordo com a pesquisadora Isabel Georges[VÍDEO], acontece dentro das comemorações do Ano do França no Brasil e prossegue nesta quinta (27).

O conteúdo do seminário está voltado para os resultados parciais de dois projetos desenvolvidos no Brasil sobre o assunto. Um deles, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), tem como título "A crise do trabalho e as experiências de geração de emprego e renda: as distintas faces do trabalho associado e a questão de gênero". O segundo trabalho, realizado pela IRD da França em parceria com o CNPq, é intitulado "As novas configurações do trabalho e trajetórias de inserção de populações de baixa renda". De acordo com Isabel Georges, o primeiro trabalho estuda as formas de inserção da população de baixa renda na sociedade. O segundo tem um recorte antropológico, que foi realizado numa relação de confiança com moradores da Zona Leste de São Paulo, mais precisamente nos distritos de Guaianeses e Cidade Tiradentes. "São regiões em que vive uma comunidade organizada formada por famílias que foram realocadas pelo Poder Público. Lá existem alguns assalariados, mas boa parte sobrevive de recursos de economia solidária", explica Isabel.

De acordo com a professora da Faculdade de Educação e doutoranda em ciência política do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp, Márcia Leite, não existe ainda uma definição conceitual para o termo "economia solidária". Este tipo de organização pode acontecer de diversas formas, seja em cooperativas, associações e outras formas de agrupamento. "A economia solidária abarca um conjunto grande de experiências econômicas de forma diferenciada. Algumas podem ser exitosas, outras não", explica Márcia. Para ela, existem formas de precarização do trabalho, em que um trabalhador pode continuar prestando serviço à empresa após um processo de demissão, mas abrindo mão de alguns direitos. A pesquisadora acrescenta que algumas iniciativas são problemáticas, instáveis e de possibilidade pequena de ganhos, outras, porém, podem ser mais duráveis.

Para Márcia, a economia solidária nasce para preencher uma lacuna no mundo do trabalho, que sempre se mostrou incapaz de incorporar todas as pessoas. O seminário deverá justamente para entender como essas pessoas se organizam, de acordo com as organizadoras.