Notícia

Jornal da USP

EACH terá Casa da Ciência

Publicado em 23 outubro 2011

A USP planeja implantar em breve em São Paulo um centro de divulgação científica nos moldes do que já existe nos campi de Ribeirão Preto e de São Carlos. A ideia é realizar parcerias com escolas do ensino médio em programas que facilitem o acesso da população aos meios e resultados do conhecimento científico e tecnológico. O projeto foi discutido no dia 21 de setembro na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, quando o pró-reitor de Pesquisa, Marco Antonio Zago, apresentou o plano para professores daquela unidade.

Segundo Zago, a USP Leste despontou como um dos locais mais elegíveis para a implantação do que vem sendo chamada de Casa da Ciência, devido às condições socioeconómicas da região.

"Divulgar o conhecimento é uma das missões da Universidade, e uma forma de prestar esse serviço à comunidade é estabelecer parcerias. Nada mais adequado do que termos escolas como parceiros. Nesse sentido, certamente as 1.400 escolas de ensino médio da zona leste são um alvo preferencial, pois estão mergulhadas numa área que necessita de alavancas para o desenvolvimento regional", justifica o professor Zago.

Para o diretor da EACH, Jorge Boueri, o projeto da Casa da Ciência reforça a missão da EACH no que diz respeito ao desenvolvimento regional e funciona como mais um elo no relacionamento da Universidade com seu entorno. "E uma oportunidade de levar o conhecimento da ciência ao jovem. Mas, além disso, é uma forma de estimular os estudos e a possibilidade de uma es colha profissional. Os líderes comunitários que participaram da reunião de apresentação do projeto se mostraram entusiasmados com as possibilidades que o programa pode proporcionar", afirma.

Um dos objetivos de estabelecer a EACH na região leste foi justamente promover o desenvolvimento local, ressalta Zago. "A oportunidade de manter contato com o ambiente universitário e com os meios de produção do conhecimento certamente motiva alunos e professores. A consequência disso é uma visível melhora na qualidade do ensino", acrescenta o pró-reitor, remetendo a afirmação à própria experiência como coordenador do Centro de Terapia Celular, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), cujo braço de divulgação científica é a Casa da Ciência do Hemocentro de Ribeirão Preto da USE

A Casa da Ciência do Hemocentro de Ribeirão Preto desenvolve diversos programas educacionais e projetos de interação de cientistas com alunos do ensino básico e médio. "Adote um Cientista é um dos projetos mais antigos e completou seis anos de existência. Conta com encontros entre pós-graduandos e graduandos com alunos do ensino básico. Nos encontros são abordados temas específicos escolhidos pelos pesquisadores", afirma Marisa Barbieri, coordenadora de Educação e Disseminação.

"Certamente levo ao projeto da USP Leste algumas concepções pessoais desenvolvidas ao longo de dez anos de divulgação científica em Ribeirão Preto. Minha experiência demonstrou que esta é uma atividade muito produtiva em termos de geração de conhecimento e que o parceiro ideal é a escola de ensino médio", destaca Zago.

Além de coordenador do Cepid sediado desde 2000 no Hemocentro da USP de Ribeirão Preto, o professor Zago atuou em outras frentes na área de divulgação da ciência. Presidiu por quatro anos a Sociedade Brasileira de Divulgação Científica, que edita a revista Brazilian Journal of Medical and Biological Research. Foi também um dos editores dessa revista, que vem se consolidando como um dos mais importantes instrumentos de divulgação científica e de formação de recursos humanos em ciência no País.

Novo edifício - Segundo o pró-reitor, será construído um novo edifício na EACH para atender às necessidades do projeto. O prédio contará com salas de aulas, anfiteatro, laboratórios e demais infraes-truturas necessárias à elaboração de atividades de divulgação científica.

Segundo o pró-reitor, o espaço físico destinado à divulgação de ciência e tecnologia deverá contar com uma área de 2.400 metros quadrados. O professor Zago ainda não tem previsão de quando o projeto entrará em funcionamento, mas ressalta que trabalha para entregá-lo num "prazo ideal de um ano e meio", diz.

De acordo com o pró-reitor, ainda não há um delineamento do projeto ou de como será a interação da Casa da Ciência da EACH com a comunidade do entorno. "Estamos em fase de construção do projeto. Ainda precisamos organizar o programa, estruturar equipes, contratar pessoas e ver quem será o coordenador, pois um programa desse gênero precisa de "um herói", uma pessoa que abrace e leve adiante o trabalho, que é imenso", afirma Zago.

Apesar do trabalho de divulgação e promoção do conhecimento desenvolvido pela Estação Ciência e pela Escola de Aplicação da USP, Zago afirma que ainda assim existe na cidade de São Paulo uma grande lacuna de atividades que levem o conhecimento científico e tecnológico à população. "Há iniciativas importantes em São Paulo, como a Estação Ciência, que adota exposições interativas e cursos. Da mesma forma, a Escola de Aplicação desenvolve seu papel para transferir o conhecimento produzido na Universidade. Mas, certamente, a Casa da Ciência da EACH terá um modelo diferente em relação ao que já existe em São Paulo, especialmente no que diz respeito a programas de médio e longo prazo desenvolvidos junto às escolas de ensino médio", afirma.

Para Zago, a região escolhida permite "desenvolver um trabalho por muitas gerações". Para o professor, a Universidade não pode nem pretende suprir todas as lacunas existentes na geração e disseminação do conhecimento, mas deve criar modelos experimentais capazes de ser replicados.

Independente do modelo de divulgação científica que seja implantado pela Casa da Ciência da EACH, Zago afirma que uma questão central que precisa ser trabalhada por programas do gênero é a questão da linguagem.

"Programas desse tipo devem ir além de sua missão de divulgação de descobertas científicas. A partir do processo de aprendizado científico, o jovem deve apreender questões complexas da linguagem e da comunicação, e assim desenvolver suas capacidades comunicativas", afirma Zago.