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É O OSSO! AÇAI VIRA PROTESE EM LABORATORIO

Publicado em 25 junho 2012

Pesquisador transforma o açaí em prótese óssea Extrato retirado da semente da fruta toma forma de espuma dura que substitui as peças de metal. É O OSSO! AÇAI VIRA PROTESE EM LABORATORIO Ensaios in vitro já demonstraram que o material obtido a partir do fruto é biocompatível A novidade, segundos os pesquisadores, apresenta excelentes propriedades mecânicas e biológicas Mais do que um alimento funcional comum na dieta de muitos brasileiros, Sobre tudo os do Norte do país, o açaí virou um poliuretano (ou polímero, composto químico) para ser usado como prótese óssea, principalmente nas regiões do crânio e da face. A transformação ocorreu no laboratório da Faculdade de Engenharia Química (FEQ)da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A novidade, uma espuma rígida e porosa, que facilita o crescimento ósseo, promete ser mais eficiente do que as peças usuais, fabricadas com metal. Segundo a química Laís Pellizzer Gabriel, autora da dissertação de mestrado que resultou na descoberta, a matéria-prima é um extrato retirado da semente do açaí, o poliol, na forma de pó. As amostras de sementes e do bagaço da fruta foram fornecidas pelo laboratório de engenharia mecânica da Universidade Federal do Pará (UFPA), que investiga as propriedades do fruto há anos.

Da reação do poliol em contato com outros compostos, como o isocianato, obtém-se um material esterilizado e pronto para uso. "Ele pode substituir próteses que geralmente são feitas em titânio, material que precisa ser retirado em uma segunda cirurgia, depois que o osso se regenera". A nova prótese de polímero natural, ao contrário, permite o crescimento do osso. Neste caso, depois que ele se regenera, o material se decompõe e é naturalmente absorvido pelo organismo. Além disso, como a prótese à base de açaí é personalizada, os médicos precisarão de menos tempo para realizar a cirurgia. Dessa forma, o paciente ficará menos tempo anestesiado e o risco de infecções é reduzido. "A prótese é produzida a partir da deformação óssea de cada paciente, de acordo com a lesão que ele sofreu", informa Pellizzer.

Tomografias e estudos médicos ajudam a dar exatidão milimétrica ao material produzido. De acordo com André Jardini, pesquisador que também trabalhou no projeto, o poliuretano já é um material consagrado para a fabricação de próteses ortopédicas e é aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mas, um detalhe: o material da Unicamp é o único de base natural. Ainda em fase de testes clínicos,a pesquisa para desenvolvimento do biopoliuretano é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A nova meta de Laís Pellizzer é investigar se outras propriedades do açaí podem ser incorporadas ao polímero já desenvolvido. O experimento já foi testado in vitro e em ratos, demonstrando ser biocompatível com as cobaias, ou seja, não sofreu rejeição do organismo delas. O próximo passo é testá-lo em humanos .

Saiba mais

Para além de um alimento funcional O açai oferece ao organismo mais do que nutrientes. De acordo com pesquisas recentes, o açaí, um fruto bioativo tem mesmo propriedades vantajosas para a biomedicina: antioxidantes, anti-inflamatórias, antifungicidas, analgésicas, entre outras. Um dos mais importantes atributos do fruto típico do Norte do país é que ele tem substâncias adequadas para a reconstrução de tecidos. Outro trabalho desenvolvido pelo professor Roberto Moura, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ),comprovou que o extrato do caroço do açaí é anti-hipertensivo, reduz o nível de colesterol do sangue e diminui a resistência insulínica. O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares Open), vinculado à USP desenvolveu um biocurativo que tem como matéria-prima o fruto de corroxa.